Circula nas redes sociais um trecho de uma entrevista do Papa Francisco à TV2000 sobre os valores da beleza. O papa responde do alto de sua sabedoria com dois exemplos de compaixão cristã que podem de maneira simples ajudar aos próximos a serem mais felizes: o sorriso puro e o senso de humor. O sorriso como instrumento de desarme das paixões humanas e o senso de humor sugerido pela oração de São Tomás Morus. O papa confessa que todos os dias reza a Oração do senso de humor que começa com o pedido de que Deus nos conceda uma boa digestão, mas também algo que digerir, um barroco recurso de ironia. Veja a Oração completa em https://www.google.com.br/amp/s/pt.aleteia.org/2017/02/27/a-oracao-do-bom-humor-que-o-papa-francisco-rezou-esta-semana/amp/

Como quando, mais adiante, clama para que “Deus me livre dessa coisa incômoda demais chamada eu”. Mais uma vez e para além da verdade admitida, a refinada ironia de alguém que pede para se livrar de si mesmo.
A questão é o contexto em que a mensagem do papa circula definido como “tempos de ódio”. E aí é que podemos perceber a inversão barroquista de apelar para a beleza, o sorriso e o senso de humor contra um ódio que na verdade só existe na mente de quem discorda que vivemos, na verdade, tempos de resgate da razão!

Não fosse o Santo Padre um autêntico jesuíta, um “soldado de Cristo”, da Companhia de Jesus, cuja missão na terra sempre foi a catequese dos povos, desde o século XV até o auge da retórica barroca do século XVII, quando a Igreja criou a Congregatio Propaganda Fidei, responsável pela evangelização dos povos!
A questão que se coloca é a de que, pela sua exata força retórica, o barroquismo não admite a sua contestação, o contraponto, a dialética, chegando ao ponto de enfrentar o sacrifício da própria vida pela relativização dos próprios valores. Vide o fim do próprio Santo, decapitado na Torre de Londres, onde de nada valeu sua fina ironia!

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