Dentre os fatos que se seguiram à tragédia do massacre de 32 pessoas na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, um especialmente nos chamou a atenção pela demonstração da força da consciência de cidadania sobre os meios de comunicação de massa.

O assassino – o estudante sul-coreano Cho Seung-hui – havia enviado para a rede de televisão NBC um farto material em vídeo onde expunha todo o seu rancor para com seus colegas, professores e a própria instituição onde estudava. A rede veiculou uma parte dessas imagens, logo seguida por outras cadeias de TV. Pouco a pouco foram crescendo os protestos de parentes das vítimas, autoridades e o público comum, o que fez com que as emissoras deixassem de mostrar partes do vídeo. É de se louvar especialmente a atitude da rede Fox que decidiu não veicular mais absolutamente nada das fotografias e videos criados pelo estudantes.

Aqui vale lembrar um outro esforço da Fox pela cidadania. Por volta de 1940 a Fox Corporation teve a iniciativa de lançar histórias em quadrinhos com o tema “Crime does not pay (“O crime não compensa”, em inglês). Os quadrinhos retratavam um novo pacto social que se estabelecia nos Estados Unidos após anos de barbárie, dominado não só pela crise econômica, mas pela violência e impunidade generalizadas. Na época, as elites cumpriram o seu papel de responsabilidade política, reagiram e a expressão “Crime Doesn´t Pay” se cristalizou como tema e bordão de um merchandising social de Hollywood, e da fixação até mesmo do gênero do “trial movies” (os “filmes de tribunal”), com todo o seu ideário de que o bem sempre acaba por triunfar. Abriu-se espaço na mídia não só para as sucessivas campanhas de denúncias de delitos como também para as punições exemplares da Justiça, e que teve como um de seus símbolos mais fortes as imagens de Elliot Ness, da Suprema Corte e da prisão de Alcatraz.

Ao decidir não divulgar as imagens de um assassino justificando sua barbárie, a mídia americana cumpre o seu papel de responsabilidade cidadã ao evitar que um criminoso acabe se tornando herói e inspiração para muitos outros jovens, principalmente num país onde o comércio de armas é livre. Que isso sirva de lição aqui também para nós, que vivemos num país atormentado pelo sucateamento das instituições jurídicas, da cultura de impunidade e do desrespeito atávico à lei.

Pois cabe aqui, então, uma reflexão que nos foi enviada pelo ouvinte Daniel Plá. É um artigo escrito por Ellen Wartella, especialista em comunicação da Universidade da Califórnia, sobre a relação entre a mídia e as crianças e os jovens. Trata-se do artigo “Diluindo a violência da TV”, que mostra aos pais como fazer para evitar que as mensagens dos meios de comunicação atinjam seus filhos com uma força acima de suas capacidades de discernimento. Uma boa dica, por exemplo, é procurar se certificar de sempre saber o que os seus filhos pensam sobre as coisas; e não apenas dizer para eles o que vocês pensam.

Aqui na Voz do Cidadão colocamos à disposição uma tradução livre do excelente artigo de Ellen Wartella, “Diluindo a violência da TV”, que vocês podem baixar na nossa Agenda.

Acessem e participem deste debate!

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