Só no Brasil se faz uma lei contra o abuso de autoridade de juízes e promotores que configura ela própria um abuso da autoridade de legisladores, disse o promotor de justiça Roberto Levianu, secundado pela própria procuradora geral da república Rachel Dodge. Na nossa mais fidedigna tradição farsesca, contorcionista e paradoxal. 

Pois o paradoxo é a espiral mais ornamentada de nossa resiliência barroquista. O paradoxo é nosso caráter civilizatório! O entrave maior  no nosso processo civilizatório. Ou a figura diabólica da construção em abismo, onde algo deixa de ser o que é de tanto se retorcer no seu sentido oposto. Quando se constrói algo no espaço da impossibilidade da construção. Ou a voluta de nos fazer percorrer o caminho de volta do próprio percurso indefinidamente. O percalço que  nos condena a não avançar. Quando o remédio é tanto que agrava a doença ao invés de combatê-la. Quando a hipérbole ou a obsessão pelo ornamento nos leva a perder o assunto. Quando o mal se volta contra o feiticeiro. Pois, quem vai julgar o abuso do juiz? Quem vai denunciar o abuso do promotor? Pois, ao arbítrio do réu, o juiz que deveria julgá-lo acaba sendo julgado. Outra vez, uma lei abusiva contra o abuso da lei. Quando já se disse que todos os abusos já existem no código penal atual e que quaisquer eventuais novas formas de abusos são sanáveis com o simples exercício do direito de recurso. Quando na verdade se trata apenas de tentar burlar a lei penal para que não se aplique a pena. Para que a punição seja impune. O castigo não castigue. O juiz não julgue. E todos tenhamos a certeza de que a justiça jamais se cumpra! Nossa sina barroquista de avançar um passo a frente seguido de dois atrás! Nos afastando cada vez mais da prudência, do bom senso e da boa medida. 

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