Na sua apresentação do livro o autor e o prefaciador afirmam que “O Guia politicamente incorreto da política brasileira” é um livro que radiografia, critica e ironiza o exercício do poder no Brasil – um país que tem o surrealismo como regime de governo. Não é uma obra para a direita ou a esquerda, para coxinhas ou mortadelas, mas uma leitura voltada a todos aqueles que já se deram conta de que há algo fora do lugar na política brasileira. O autor oferece um livro revelador, utilizando dados e contradições para quebrar mitos propagados há séculos e colocar em desconforto nossos próprios conceitos ideológicos. Como Pedro Bial escreve no prefácio, “este guia é corretíssimo, incorreta é a realidade aqui descrita”. Uma realidade escandalosa, retratada no livro com ironia e sarcasmo.

Só discordo que a ironia e o sarcasmo sejam recursos retóricos do surrealismo. Até mesmo se tal estilo chegou a desembarcar em nossas praias. Mesmo que em sentido lato, prefiro reforçar a minha tese de que se trata de nosso velho e conhecido barroquismo mental, sobretudo pela adoção de nosso gênero literário predileto, a farsa, e das figuras retóricas nele abundantes como hipérboles, paradoxos e anfibolias (duplo sentido ou ambiguidade). O barroquismo, sim, que desembarcou aqui pelas torções das volutas das artes, e se espraiou para além delas, nas retorções da literatura catequética dos sermões e erótica dos poemas lúbricos dos barrocos, para além das contorções da dor e do sentir, do ver e conceber a justiça, até as distorções da conduta moral, cívica e política.

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