Nada mais oportuno do que uma última homenagem ao maior pensador da atualidade e que nos deixou no último domingo: Sir Roger Scruton. Mesmo que a mídia ainda insista maníacamente em chamá-lo “do maior pensador conservador da atualidade”, tentando lhe diminuir a importância. Vale rever este documentário escrito e narrado por ele para a BBC em 2015: “Por que a beleza importa”.

Sobretudo sua simples explicação sobre a diferença fundamental entre esquerda e direita: enquanto a esquerda quer destruir uma ordem social que prejulga injusta porque burguesa, a direita procura conservar os valores da tradição clássica. O mesmo fenômeno que ocorre na arte: chocar, destruir, profanar no lugar de encantar, comover, por o homem em contato com o belo e o sagrado. Para além de esquerdismo, a insuspeita resistência do barroquismo.

Com Scruton, pude entender melhor o tema a que me dedico há tantos anos: o resgate do Iluminismo num mundo ainda imerso no barroquismo. E que não se apercebe disto, por que a maioria dos intelectuais se declara de esquerda, sem se dar conta de que nada mais estão fazendo do que fugir da inconveniente realidade do reino da razão, o que é muito mais desagradável do que permanecer na fuga ilusionista do mundo barroco.

Pois nada mais paradoxal do que a concepção barroquista de fazer da arte do belo a expressão da feiúra. Nada mais retórico do que fazer da razão a meia-verdade. Ou da consagração da má conduta e do desatino como norma social. Sinal definitivo de nosso barroquismo mental contra o qual Scruton foi combativo Knight, embora não com este enfoque que sonhei um dia lhe propor.

Mas não deu tempo. Deus não quis. Terei que abrir esta senda sozinho. Como um Jeca Tatu que nunca imaginou que teria de enfrentar, numa catequese ao contrário, a cegueira dos litorâneos.

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