O documentário “Maria Callas – Em Suas Próprias Palavras”, de Tom Volf, recém-estreado no Brasil, lança mão de entrevistas e cartas para recuperar a trajetória da considerada maior soprano lírica do século passado. E aí, podemos constatar que sua vida pessoal era tão trágica quanto os personagens que interpretava.

Ao se propor a construir um retrato em primeira pessoa da soprano Maria Callas (1923-1977), o diretor Tom Volf  se deparou com uma mulher constantemente em conflito. “Callas está sempre brigando com Maria, e Maria com Callas, em uma busca por uma harmonia que ela não vai conseguir encontrar”, afirma.

Na entrevista que ainda no início da carreira deu à televisão americana a cantora afirma coexistir duas personalidade nela própria: a Maria pessoa comum, que queria casar e ter filhos, e a grande diva Callas dos palcos mais importantes da ópera mundial, morta prematuramente aos 53 anos num auto-exílio em Paris. Aliás, a cantora greco-americana viveu mais em tournées na Europa do que em um desses dois países de origem e nascimento.

Callas revolucionou a interpretação na ópera. “A ópera pode ser entediante”, ela diz. E o único antídoto é o poder de atuação de um cantor que se entende não apenas como uma voz, mas também como um ator, uma atriz, capaz de dar sentido aos dramas que interpreta.

 

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