Recebo de nosso Agente de Cidadania Roberto Teixeira da Costa uma voz de alento do Chairman do Global Client Council da McKinsey.

As 10 transformações do ‘Brasil que deu certo’

31/08/2018

Nicola Calicchio

Na semana passada, quase 1.500 executivos se reuniram no Fórum McKinsey para conversar sobre um tema crítico: como se transformar para vencer em um mundo de mudanças aceleradas.

Comemoramos também os 30 anos da McKinsey no Brasil. Nesse período, houve pelo menos 10 grandes transformações no “Brasil que deu certo” que impulsionaram as empresas e impactaram a sociedade como um todo.

No momento em que nos aproximamos do que talvez seja a eleição mais importante desde a redemocratização, convém lembrar os vetores que empurraram o País para frente — para evitar darmos passos para trás.

10) Plano Real

Foi só a partir do Real que o Brasil passou a fazer algo tão básico quanto se planejar, graças à estabilidade de preços. A carteira de crédito ao consumidor cresceu 80 vezes entre 1995 e 2017, marcando a primeira grande inclusão de brasileiros que estavam à margem.

9) Privatizações

Graças às privatizações, hoje temos telefones em nossos bolsos — e não em nossa declaração de Imposto de Renda. O marco regulatório das telecoms gerou mais de R$ 400 bilhões em investimentos privados no setor (em valores históricos).

8) Boom nas commodities

Demos sorte nesta aqui, mas mesmo para aproveitar a sorte, é preciso estar bem preparado. A locomotiva foi a China, mas a produtividade do nosso setor de mineração cresceu quase nove vezes nos anos 2000, enquanto no país como um todo a produtividade cresceu marginalmente.

7) A explosão do consumo

O acesso ao consumo é a porta da dignidade. Em 1989, 49% dos lares eram de classe média. Em 2017, chegamos a 71%. Quase 80% do aumento total do consumo foi representado pelas classes B/C. Exemplo disso são as mais de 80 milhões de lavadoras vendidas nesse período.

6) Explosão do acesso ao conhecimento

Em 2015, finalmente, conseguimos colocar todas as nossas crianças na escola. Por outro lado, a qualidade do ensino não melhorou muito. Nossa pontuação no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) ficou praticamente estável nos últimos 15 anos, apesar de termos triplicado o investimento em educação. Essa situação precisa mudar.

Ao mesmo tempo, o acesso geral à internet criou os primeiros nativos digitais do Brasil: a geração Z. Eles falam a língua digital sem sotaques, com comportamentos mais horizontais e menos diferenciados por classe social. É o que chamamos de True Gen, que busca o consumo da verdade.

5) Surgimento das multinacionais brasileiras

As empresas brasileiras profissionalizaram sua gestão e governança. O caso mais emblemático é o da Ambev, que, através de constantes transformações, cresceu 10 vezes em receita e 200 vezes em valor de mercado entre 1999 e 2017.

4) Conectar o Brasil ao mundo

Há 50 anos, a produtividade do funcionário brasileiro correspondia a 20% da produtividade do americano.

Como somos um País fechado, cinquenta anos depois, a produtividade do Brasil duplicou. Mas a produtividade dos Estados Unidos também dobrou nesse período, e não conseguimos diminuir em nada a lacuna.

Navegar é preciso: os nove acordos comerciais brasileiros dão acesso a apenas 5% dos consumidores ao redor do mundo.

O Chile, país bem próximo de nós, tem acesso a 27 acordos comerciais, que permitem acessar 95% do comércio mundial — mostrando que não é preciso estar nos 400 acordos para acessar o mercado mundial.

3) A transformação digital

Poucas empresas brasileiras estão preparadas para a revolução digital. Mas podemos citar o exemplo do Magazine Luiza, ilustrado pela própria Luiza Helena Trajano, que encerrou o nosso dia de discussões. Desde os anos 2000, a empresa foi uma precursora de investimentos em multicanalidade, sempre integrando o online com o offline.

2) Nova ética empresarial, social e política

Na história, seremos sempre julgados pelos valores do futuro, e não pelos valores de nossa época. Não devemos esquecer que são as leis que convergem para a ética, e não o contrário.

Empresas verdadeiramente éticas são negociadas com prêmio médio de 54% em relação aos múltiplos de seus pares no S&P. Apesar disso, uma pesquisa recente mostrou que três de cada quatro executivos brasileiros não acreditam que as suas empresas sejam eficientes em inspirar padrões profissionais éticos.

Promover essa reforma não é mais uma escolha.

O que ainda podemos fazer? Lutar contra a visão de curto prazo, servir a todos os stakeholders e agir como donos.

1) O mais importante: a nova forma de liderar pessoas

Surge uma nova forma de líder: aquele que alia não só competência, mas caráter e alta capacidade de engajamento de pessoas.

Uma pesquisa da McKinsey mostra que 74% dos executivos americanos veem o talento como mais importante para o sucesso de sua empresa do que o capital. No Brasil, somente 35% dos executivos pensam assim.

Precisamos pensar em talento também como diversidade. Empresas mais diversas têm 33% mais chances de terem performance acima da média.

Apesar dos altos e baixos do nosso país, eu sou um otimista. Acho que estamos mais engajados enquanto sociedade. Precisamos deixar um país melhor para os nossos filhos. Não dá pra fugir desta obrigação.

Nicola Calicchio é Chairman do Global Client Council da McKinsey.

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