A campanha lançada ontem em toda a mídia de massa do país é um primor de nosso reticente barroquismo mental. Destina-se a resgatar a reputação da imagem institucional da maior estatal brasileira argumentando apenas pelas bordas e sem enfrentar o problema de frente. A Petrobrás não foi culpada pela corrupção, foi vítima. Quando o problema não é a Petrobras em si, mas a sua gestão que foi testemunha do assalto e emudeceu, obedeceu os mandantes do crime e se omitiu em denunciá-los. A Lava Jato surgiu por acaso na investigação de mais um crime de lavagem de dinheiro. Quando todos sabemos que tão grande o Estado, e seu controle de empresas não estratégicas, como no caso dos braços logístico, petroquímico, de refinarias, distribuição etc da Petrobras, maiores as chances de se corromperem. Quando todos sabemos que estratégico mesmo, como manda a lei de sua criação, é a pesquisa e prospecção do petróleo. E só isto! No filme em tela vejam que o recurso do paradoxo, tipico da poesia barroca, é largamente utilizado, lendo-se as frases de cima para baixo e de baixo para cima, e mudando-se completamente o sentido da mensagem. “Não existe caminho fácil. Existe o caminho certo”, diz o lema da campanha. Quando sabemos que a intromissão da estatal em áreas que não lhe são estratégicas é que torna o caminho difícil e equivocado. Mas isso se esconde, como manda a tradição do discurso persuasivo do nacionalismo tosco e desmesurado que temos vivido até hoje. No mais, a ver o que se mudará nos próximos anos!

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