A novela da vida real ou a realidade da novela?

Entrando em sua fase final, Avenida Brasil está num momento crucial. Num surpreendente paralelo com a vida real, a protagonista Nina acaba de espalhar quatro pacotes de fotos de Carminha com o Max, nessa que é a sua grande cartada contra a rival.

E em pleno julgamento do mensalão, agora em sua fase política, não poderíamos deixar de enfatizar novamente a questão da Justiça e suas instituições, ou a falta delas no folhetim das nove da noite.

Nina faz isso porque não acredita em Justiça e na força das instituições. Para os personagens a única resposta é a pena de Talião, a vingança bárbara, o olho por olho dente por dente. Não é a toa que na novela não temos as instituições de segurança ou de Justiça. Não temos um delegado ou um promotor, e muito menos um magistrado.

Parece claro: as instituições são ausentes na classe emergente por que estão ausentes no imaginário da classe dominante, que acha que pode colocar o compadre na delegacia que não vai ser objeto de investigação policial, que o tio trabalha na Receita Federal então sua empresa não vai ser fiscalizada, que tem um sobrinho no Ministério Público que então nada chega à Justiça.

A comparação com as últimas “safras” de políticos brasileiros é inevitável. Não se acredita no valor das instituições, no limite da lei, na moralidade pública, no embate ao nível das idéias, nos programas partidários, na importância da função fiscalizadora do Legislativo, no interesse pelo bem comum, nas causas de interesse público, no respeito ao voto e aos cidadãos eleitores.

Assim como Nina, temos um passado recente prenhe de dossiês de aloprados, de Ilhas Cayman, de pastas rosas e outros que-tais, que trazem à sociedade a imagem de que “política é assim mesmo”, “a cultura política brasileira é essa”, “não tem jeito, quem entra lá fica assim automaticamente” e por aí vai. Como se o Brasil não viesse mudando há vinte anos com a aprovação de marcos regulatórios fundamentais, como a Lei da Improbidade Administrativa, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei da Transparência, a Lei da Ficha Limpa e a Lei do Acesso à Informação Pública.

E é por isso que algumas iniciativas da mídia e da sociedade ganham importância especial para reverter essa imagem. Por exemplo, o site Congresso em Foco já está com a votação aberta a todos os internautas para a edição 2012 do seu Prêmio, que procura reconhecer e destacar os congressistas que mais se esforçaram por honrar seus mandatos em temas como segurança jurídica, cidadania, defesa da democracia, defesa dos consumidores, defesa dos consumidores, defesa dos eleitores, saúde, educação e outros.

Participar do Prêmio Congresso em Foco é mostrar em claro e bom som que, afinal de contas, nosso Brasil é, sim, muito maior e melhor que a avenida do mesmo nome!

Vale a pena acessar e dar o seu recado no www.premiocrongressoemfoco.com.br.

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