Um documentário em homenagem aos 50 anos da <em>Nouvelle Vague</em>

Godard, Truffaut e a nouvelle vague, de Emmanuel Laurent

Trata-se de um documentário em homenagem aos 50 anos da Nouvelle Vague, que remonta à exibição de Os Incompreendidos, de François Truffaut, seguida da apresentação de Acossado, de Jean-Luc Godard, no Festival de Cannes de 1959, e que revelou ao mundo dois dos maiores cineastas franceses de todos os tempos. A partir daí os dois cinéfilos de juventude, começam uma forte amizade até o seu rompimento durante os eventos políticos que marcaram as revoltas estudantis de maio de 68 na França.

Antoine de Baecque, roteirista do documentário e também biógrafo dos dois cineastas, se diz na verdade biógrafo do próprio movimento estético-cinematográfico da Nouvelle Vague. Por que é com os textos dos dois críticos nos célebres Cahiers du cinema – revista referência na crítica de cinema fundada em 1951 por André Bazin – que vão surgir, não apenas as bases conceituais do movimento, mas as diferentes visões de mundo dos dois cineastas: por uma arte politicamente engajada de Godard e pela arte como tributo à realização estética, como em Truffaut.

O documentário mostra cenas raras de entrevistas da época, de importantes filmes e até do primeiro teste de câmera de Jean-Pierre Léaud, que viveria o Antoine Doinel (alter ego de Truffaut) em Os Incompreendidos e em outros longas. A Revolução de 1968 causou um rompimento não apenas da amizade entre os dois cineastas como o fim do próprio movimento. Os dois tomaram rumos opostos e, ideologicamente, não aceitavam a escolha um do outro. Godard passou a fazer um cinema crítico e engajado, enquanto Truffaut se manteve à parte de debates políticos.

Mesmo que venhamos a fazer uma opção pelo caminho trilhado de um ou de outro, não podemos negar a importante contribuição de ambos para a renovação da linguagem do cinema contemporâneo. Mais ainda: não podemos deixar de reconhecer nesta discussão uma das mais fecundas questões da própria teoria da arte em termos gerais. As teorias que surgem com a indagação de um fim teleológico ou a da arte pela arte tem atravessado toda a filosofia, desde a visão idealista de Platão, até os romantismo revolucionário do século XIX ou o realismo socialista do século XX. Sobretudo no cinema, esta discussão se torna fundamental para a educação e consciência políticas dos cidadãos.

Veja o trailer em:

http://www.youtube.com/watch?v=QlcpQ1uOECw&feature=related


http://www.youtube.com/watch?v=6Zp2j4U8-vc

Sobre maio de 1968:

http://www.youtube.com/watch?v=Oemd940cWbI


http://www.youtube.com/watch?v=vQSNSQGYP7A&NR=1


http://www.youtube.com/watch?v=sx_V7Qy_Fts&NR=1

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