Trajetória de um regime que atravessou momentos muito diferentes

"Longo Bonapartismo Brasileiro (1930-1964), Um ensaio de interpretação histórica", de Felipe Demier

O Longo Bonapartismo Brasileiro 1930-1964
Distanciando-se de interpretações celebratórias, mas, igualmente, diferenciando-se da crítica politicamente interessada em desconstruir o varguismo, este livro propõe uma interpretação de conjunto para a origem e a trajetória histórica de um regime que atravessou momentos muito diferentes.

Trata- se de uma tarefa de enorme complexidade. O autor alcançou uma interpretação sintética da relação entre as classes subalternas, os sindicatos e o aparelho de Estado cujos fundamentos teóricos não poderiam deixar de repousar na análise de Marx sobre a curta existência da Segunda República Francesa.

Por meio da atualização do conceito de bonapartismo, o autor foi capaz de apreender as complexas relações entre as diferentes forças sociais em presença, em um país em ritmo alucinante de transformação. (Trecho da quarta capa assinada pelo professor Ruy Braga, do Departamento de Sociologia da USP). 

A tese que busca comprovar é que, ao longo do período estudado (1930-64), o Brasil viveu sob domínio de um semi-bonapartismo. O bonapartismo é a medida teórica do autor. O Brasil teria sido pré-bonapartista desde 1930; “mais bonapartista”, no Estado Novo; semi-bonapartista, no período JK. Apenas o período Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) escapa da qualificação. Os curtos períodos históricos são para o autor regimes”, onde a tese da necessidade de mudar para tudo ficar como está” é a tônica principal. O bonapartismo é reiterado como a religião da burguesia brasileira, aludindo a F. Engels.

Ao longo dos nove capítulos, o autor trata de intricadas teses da historiografia, emitindo sobre elas opiniões nem sempre aprofundadas no presente ensaio – questões discutidas no texto de sua tese de doutoramento. Enuncia o objetivo de contribuir para a pesquisa sobre a verdadeira natureza das relações entre Estado e sociedade no país” (p. 27). Segundo o autor, o bonapartismo brasileiro foi responsável pela criação de uma “ideologia de um Estado patrimonialista e cartorial”. A partir disso, propõe uma interpretação materialista e dialética do Estado. A interpretação marxista sobre o Estado passa, portanto, pelo debate do bonapartismo. É a grande contribuição ao debate que o autor apresenta.
 
Inicialmente, propõe considerações teóricas sobre o bonapartismo, regimes nos quais “a existência das incontáveis massas populares tornam ineficazes antigas e altamente exclusivistas formas de dominação política burguesa” (p. 39). O bonapartismo seria um regime de exceção, fortemente marcado por uma crise de hegemonia. O Estado passaria a ter uma autonomia política diante dos conflitos de classe, pois a burguesia se mostraria inepta para a gestão destes últimos.

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