342 – A Voz do Cidadão https://www.avozdocidadao.com.br Instituto de Cultura de Cidadania Mon, 06 Aug 2018 23:54:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.2.9 Artigo – do Diário do Comércio de São Paulo: “Lava Jato cerebral”, por Jorge Maranhão https://www.avozdocidadao.com.br/artigo-do-diario-do-comercio-de-sao-paulo-lava-jato-cerebral-por-jorge-maranhao/ https://www.avozdocidadao.com.br/artigo-do-diario-do-comercio-de-sao-paulo-lava-jato-cerebral-por-jorge-maranhao/#respond Fri, 30 Mar 2018 17:15:12 +0000 http://www.avozdocidadao.com.br//?p=28334
Imagem: óleo de Paolo de Matteis, de 1715, “O triunfo da Imaculada”.
22 de Março de 2018 às 20:09

Do Diário do Comércio de São Paulo: https://dcomercio.com.br/categoria/opiniao/lava-jato-cerebral

O site 342, originariamente criado para pedir a cassação de Temer no ano passado pela fina flor de nossos artistas e intelectuais militantes dos direitos humanos, passou a fazer campanhas de todo tipo e independente do interesse público.

Desde que contrárias a qualquer ato do governo, da demarcação de terras de reserva indígenas ou minerais, até as reformas da previdência ou trabalhista.

A última campanha se intitula “intervenção é farsa”, pois o próprio Temer teria se referido à intervenção como “uma jogada” segundo os depoentes do vídeo.

Mas a pergunta que se impõe é se, a despeito da farsa do eventual comentário infeliz, a intervenção militar não é uma política necessária diante do descalabro a que chegou a segurança pública no Rio, pelo desgoverno do Estado.

Intervenção, por sinal, apoiada pela maioria da população, segundo recentes pesquisas. Além do que, será que as Forças Armadas se prestariam a este papel de coadjuvantes da farsa?

Um dos depoimentos da campanha é da vereadora recentemente assassinada, bem como de seu companheiro Marcelo Freixo do PSOL, pré-candidato esquerdista nas próximas eleições, e engajados na doutrinação antimilitar.

Aliás, o site Antagonista fez um levantamento nesta semana dos eleitores da vereadora e concluiu que ela não foi eleita majoritariamente pelos favelados pretos e pobres que defende, sobretudo das zonas faveladas em que nasceu e cresceu, mas pelos eleitores mais abastados da zona sul da cidade.

De quem seria a farsa, afinal? Da campanha dos artistas globais e intelectuais da esquerda caviar ou das autoridades responsáveis pela intervenção?

Penso que a campanha em si é mais uma demonstração de oportunismo farsesco e burlesco de nosso esquerdismo apresentando argumentos típicos do barroquismo mental de nossas elites, que de nossas artes plásticas e de nossas letras, desde o século XVII, extrapolou o estilo e a visão de mundo barroca para decisivos campos da vida nacional.

Farsesco pela ausência do sentido moral da comédia clássica e burlesco pela mera situação ridícula e vergonhosa.

Desde a magistratura da bela retórica garantista tirada dos alfarrábios júris-idealistas, que apenas procrastina o dever de uma sentença efetiva, aos políticos que burlam a representação dos eleitores pela de seus próprios interesses corporativos.

Além dos próprios cidadãos, sobretudo das elites, que sempre confundem cidadania com direitos sociais e quase nunca com deveres cívicos.

Resultado: estamos aprisionados numa armadilha barroquista, e sua visão de mundo mais da aparência do que da essência, mais da ironia do que do rigor, mais da fantasia do que da realidade, onde quase nunca afloram o bom senso e a razoabilidade clássicas experimentadas na Renascença e no Iluminismo.

A primeira por que inexistíamos ao tempo do advento da Renascença, uma vez que fomos descobertos na vigência do Barroco. O segundo por que totalmente desconsiderado pelo romantismo de nossas elites fundadoras da pátria.

O barroquismo como resíduo inexpelível de nossas mentes, a estrutura mesma de nosso inconsciente coletivo, a parcial e torta perspectiva através da qual vemos o mundo, o repertório pelo qual pensamos a realidade do país e escolhemos agir sobre ela.

Sobretudo quando transpomos para os campos da moral, da cívica e da política as figuras máximas da retórica barroca: a hipérbole do ver e do relatar, a ironia no tratar e a farsa e a burla no contratar uns com os outros na realidade da vida social.

Estas últimas sobretudo, se são comédias que nos ensinam sobre os valores morais, a não acreditar ingenuamente nas boas faculdades e intenções humanas, a conhecida “moral da estória”, apresentando como verdadeiro o que é falso, e o falso como verdadeiro, transpostas para a vida política e social concretas, é um atraso ou completo desastre civilizatório.

E quando se eternizam no esquerdismo cultural das mentes como relativismo moral, é mais desastroso ainda, sinal de que o país perdeu a guerra para a revolução cultural marxista e anacrônica.

Quando a esquerda, ignorante do mofo barroquista cuja humidade lhe encharca a mente, tenta mudar a substância dos nomes com as contorções das adjetivações em excesso ou simplesmente distorcendo o real significado dos substantivos.

Como justiça, que vira “justiça social”, como vida que se distorce  em “condições de vida”, ou liberdade que se retorce em libertinagem, ou sexo que se torce em gênero, propriedade que se exagera em ganância, trabalho que se generaliza em exploração, autoridade que se falseia em  autoritarismo, patriotismo em nacionalismo, Estado em providência divina e direitos sociais se arvoram a franquias ilimitadas.

Se não, vejam a pérola do barroquismo da campanha: os psolistas argumentam que o Rio precisa mais da intervenção “dos lápis do que dos fuzis”! É de se perguntar o que fiofó tem a ver com os fundilhos das calças. O fuzil não está em oposição ao lápis.

O Brasil precisa de muita educação, sim, e de alta qualidade para tirar os jovens do circuito do crime institucionalizado, desde os que correm nos corruptos palácios de Brasília até os que grassam nos corrompidos presídios dos estados.

E precisa também, em momentos de crise, de intervenção das forças de segurança com apoio e presença das Forças Armadas, como prescreve a Constituição em casos de incontrolável desordem pública.

Utilizar-se do oportunismo de uma farsa para denunciar outra farsa, figuras de comparação de coisas de natureza diversa, não se trata apenas de retórica sofismática ou pura desonestidade intelectual, mas demonstração cabal da lavagem cerebral barroco-esquerdista de nossas elites “pensantes”.

Haja Lava Jato para dar conta de tanto anacronismo! De lavar a jato o cerebelo de tantos oportunistas e demagogos esquerdistas!

Jorge Maranhão, mestre em filosofia pela UFRJ, dirige o Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão

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Intervenção no Rio de Janeiro – site de artistas 342 aproveita a crise da segurança para argumentar que a intervenção é farsa! https://www.avozdocidadao.com.br/intervencao-no-rio-de-janeiro-site-de-artistas-342-aproveita-a-crise-da-seguranca-para-argumentar-que-a-intervencao-e-farsa/ https://www.avozdocidadao.com.br/intervencao-no-rio-de-janeiro-site-de-artistas-342-aproveita-a-crise-da-seguranca-para-argumentar-que-a-intervencao-e-farsa/#respond Sat, 17 Mar 2018 16:26:33 +0000 http://www.avozdocidadao.com.br//?p=28271 Vamos lá direto ao ponto! A razoabilidade da argumentação contra a intervenção ou mais um exemplo do barroquismo sofismático de nossas elites esquerdistas:

1. O site, originariamente criado para apelar pela investigação e cassação de Temer no ano passado, que precisava dos votos da maioria da Câmara Federal de 342 deputados e, como se sabe, não conseguiu, passou a fazer campanhas nas redes sociais sobre outras pautas que desgastasse o presidente, como defesa da Amazônia, contra um decreto sobre  uma reserva de minerais, em defesa da demarcação de terras indígenas e de quilombolas, além da participação recente de vários dos artistas globais em campanhas contra a reformas trabalhista e da previdência.

2. Daí se conclui que a nova campanha “intervenção é farsa”, como se refere um dos artistas, é motivada por ter sido tão simplesmente uma iniciativa do presidente: “o próprio Temer disse que a intervenção é uma jogada”. A pergunta que faço é se, independente do farsante Temer, a intervenção não é uma política necessária diante do descalabro a que chegou a segurança pública do Rio.

3. Será que as Forças Armadas iriam se prestar a este papel de co-autoras de uma farsa? Quando em pesquisas recentes se constatou que a maioria da população é a favor da intervenção?

4. O site Antagonista denuncia que a vereadora recentemente assassinada no Rio não foi eleita em sua grande maioria pelos favelados pretos e pobres que defendia. Veja em https://www.oantagonista.com/brasil/marielle-nao-foi-eleita-pelas-favelas/    Se a vereadora na verdade representava os eleitores da zona sul, a turma da esquerda caviar, isto também não é uma grande farsa?

5. A campanha em si é mais uma demonstração de oportunismo farsesco e burlesco, recursos típicos de nosso barroquismo mental, que das artes plásticas e das letras, extrapolou para decisivos campos da vida nacional, como o judiciário, a política e os próprios cidadãos, por falta da razoabilidade classicista que, em nossa cultura, é rarefeita, como defendo em meu novo livro.

6. A campanha argumenta barrocamente que o Rio de Janeiro precisa mais da “intervenção dos lápis do que dos fuzis”. Taí a burla explicitada! O que tem a ver uma coisa com outra? O fuzil não está em oposição ao lápis. O Rio precisa de educação, sim, como o Brasil todo. Muita educação para tirar os jovens do circuito do crime institucionalizado desde Brasília até mesmo nos presídios. Mas precisa também, em momentos de crise aguda, de intervenção de forças de segurança com apoio das Forças Armadas, como prescreve a Constituição Federal.

7. Utilizar-se de oportunismo, de farsa para denunciar outra farsa, de exageros argumentativos, generalização de hipérboles, paradoxos, metonímias e figuras de comparação de coisas de natureza diversa como fuzis e lápis, não se trata apenas de desonestidade intelectual, sofisma e falsos silogismos, mas demonstração cabal da lavagem cerebral esquerdista que se abateu em nossas elites pensantes.

8. Mas o que clama o Brasil,  já farto de esquerdismo e populismo, é a seriedade no trato da coisa pública. É a participação da cidadania política no encargo de bem gerir a coisa pública, É o mínimo de razoabilidade e bom senso que tanto tem nos faltado há séculos de hegemonia da esquerda, do romantismo e do barroquismo mental que nos acomete a todos.

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