Primeira exposição do fotógrafo norte – americano na América Latina
 

Olhar direto
de Paul Strand
Museu Lasar Segall, SP

É a primeira exposição do grande fotógrafo norte-americano Paul Strand (1890-1976) na América Latina. A primeira vista, pode parecer um exagero a consideração de que Strand foi um dos maiores fotógrafos do século XX. Mas, se entendemos o contexto histórico: a hegemonia à época da arte dos fotógrafos chamados de pictorialistas, que nada mais faziam do que enquadrar paisagens e cenários ao gosto de verdadeiros pintores da realidade. Enquanto que a arte de Paul Strand – chamada de straight photography – procurava temas exatamente da realidade não pictórica, com recursos técnicos possíveis pela própria câmara, no lugar de efeitos de iluminação, filtros e banhos de revelação.

 

Para tanto, há que se entender a fotografia acima de tudo como o registro do cotidiano passado desapercebido pelo olhar contemporâneo. Não apenas como o registro de cenas, pessoas e objetos triviais, se não como exercício da livre escolha de assuntos que fazem a diferença entre mais um observador da realidade e a arte de um grande fotógrafo. Nesta exposição, podemos saborear uma seleta de suas primeiras fotografias em P&B dos anos de 1910 a 1920. Nada, portanto, é trivial para o olhar de Strand, simplesmente por que soube ver para além de seu próprio tempo vivido. Por exemplo, a foto célebre de uma mulher cega com um olho claramente vazado e o outro nem tanto. Se poderiam achar que não era cega – para efeito de garantia de seu ganha-pão exposto na licença de peddler emitida pela prefeitura de New York – se fazia necessário pendurar o cartaz com a inscrição “blind”. Não se trata apenas do fato em si registrado pela sua câmara, senão do fenômeno estético percebido e criado pelo fotógrafo: que não haja dúvidas de quem realmente sou, está a dizer uma possível legenda desta foto. No mais, várias cenas de famílias, trabalhadores comuns, a faina da construção urbana, a agitação dos transportes, o ritmo frenético do mercado e de um novo estilo de vida capitalista.

Para além das fotografias, teremos a oportunidade de apreciar um curta-metragem intitulado Manhatta, e realizado em 1921, em parceria com o fotógrafo e pintor Charles Sheeler. Tal curta é considerado um dos primeiros filmes experimentais realizados nos Estados Unidos e mostra Nova York como uma metrópole industrial com suas sequências de prédios, trabalhadores da construção civil e multidões de transeuntes. Imagens acompanhadas de versos de Walt Whitman. Enfim, o nascimento agitado de uma nova era histórica que, se não todos, ao menos alguns estavam a perceber e testemunhar.

Veja mais em: http://www.museusegall.org.br/lsFetchItem.asp?sMenu=L003&sTipo=5&sItem=664&sOrdem

http://www.google.com.br/search?sourceid=navclient&aq=h0&oq=paul%20&hl=pt-BR&ie=UTF-8&rlz=1T4DABR_pt-BRBR267BR270&q=paul+strand

E o curta-metragem integral no YouTube:
http://www.youtube.com/watch?v=NePhRIwzkfA

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