LIVRO
A Ilusão americana, de Eduardo Prado
EbooksBrasil, 2002, de edição original de 1917

Nascido de abastada família paulista de fazendeiros em 1860, formado em direito pela Universidade de São Paulo e adido da embaixada do Brasil em Londres, Eduardo Prado marcará a sua vida pela crítica à ordem republicana, acusando o movimento de ditadura militar, ao tempo em que denunciava a opção política brasileira pelas repúblicas emergentes, sobretudo os Estados Unidos, e o abandono das monarquias européias.

 

A Ilusão americana é um de seus grandes libelos contra a alinhamento automático do Brasil aos governos norte-americanos e teve sua primeira edição censurada e apreendida em São Paulo, em 1893. Como grande publicista, criticou também a reforma da bandeira nacional pelos republicanos.

No momento em que as relações Brasil-Estados Unidos são questionadas por variada pauta de interesses, desde a implantação da Alca até a batalha contra as tarifas protecionistas, e para além de seus contenciosos com as demais nações latino-americanas, é importante se ter uma visão histórica dos prós e contras desse alinhamento.

Muito se tem escrito nos últimos anos sobre a história da república brasileira, denunciando em parte o seu viés autoritário e de golpe militar, assim como o pastiche de suas palavras de ordem, e em parte resgatando as virtudes democráticas da nossa última monarquia que já era monarquia parlamentar sob o governo de Pedro II. Para se ter uma visão crítica leia-se os dois libelos do publicista Eduardo Prado anteriores à Ilusão americana: os Faustos da Ditadura Militar e A Bandeira Nacional. Tanto é que até hoje permanece obscura na defesa do Apostolado Positivista de Raimundo Teixeira Mendes que, juntamente com Miguel Lemos, havia se convertido à religião do positivismo comteano: por que será que Teixeira Mendes retirou justamente o princípio do tríptico comteano, o amor, e assumiu apenas ao fundamento da ordem e o fim do progresso? Se o amor significa, como já provamos em nossas oficinas de cultura de cidadania, exatamente o princípio da justiça?

A denúncia de que os EUA, embora tendo abolido a escravatura em seu governo, permanecia com o tráfico de escravos através de sua navegação mercantil nas costas brasileiras mostra o que Eduardo Prado considerava uma política ambígua da diplomacia americana.

O livro passa em revista as relações políticas dos EUA com todos os países latino-americanos, desde o México que teve parte de seu território anexado ao território norte-americano, até mesmo o intervencionismo nos conflitos entre nações como Peru, Chile, Bolívia, Venezuela, Colômbia, enfim, eventos que poderiam justificar uma tradição de desconfiança dos povos latino-americanos das intenções de amizade do grande irmão do norte.

Se a independência brasileira fora em grande parte apoiada pela monarquia parlamentar inglesa, a proclamação da república teve influência positivista, de viés romântico-idealista e clerical, distanciando-se, portanto, do princípio liberal da separação dos poderes e da autonomia da administração pública pelos cidadãos conscientes de sua soberania política diante dos governantes.

Por fim, a leitura deste libelo, guardadas as diferentes épocas e confissão monarquista do autor, se recomenda pela necessidade de uma revisão crítica da política norte-americana para com os países latino-americanos, sobretudo numa conjuntura de crescente animosidade de líderes esquerdistas demagogos, mordidos pela tentação totalitária que poderá nos condenar a mais algumas décadas de subdesenvolvimento e mediocridade política.

Veja edição completa em
http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/didaticos/A_Ilusao_Americana.htm

Mais informações em
www.alfaomega.com.br/ilusao-americana.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Prado

Sobre a Bandeira Nacional, veja
www.novomilenio.inf.br/festas/brasil25.htm
www.rickardo.com.br/arquivos/posit_bandbras.pdf

Deixe uma resposta