FILME

Baixio das Bestas
Um filme de Cláudio Assis

Cláudio Assis é o diretor do premiado “Amarelo Manga”. No entanto, seus argumentos e roteiros provocam polêmica. Como ele próprio define, este novo roteiro é um libelo contra a impunidade e a violência contra as mulheres. Cláudio Assis filma O Baixio das Bestas em Nazaré da Mata, região dos antigos engenhos de cana de açúcar em total decadência.

 
 

Uma pequena comunidade entranhada dentro de uma cultura secular e paralisada em sua autoridade e em sua moral: a decadente cultura latifundiária. Com a ambigüidade própria da decadência, é nesse cenário que se passa a história de Auxiliadora, Seu Heitor e Cícero. Ela, uma menina de 13 anos explorada pelo velho avô, Seu Heitor, um moralista que em tudo vê falta de autoridade, mas ganha dinheiro explorando a nudez de sua neta. Por sua vez, Cícero, um jovem de uma conhecida família local, que assiste ao drama de Auxiliadora e cria por ela uma paixão insustentável.

No momento em que todo o país discute saídas para a cultura de impunidade, que é a própria negação da cultura de cidadania, é importante, para além de agradar ou não aos olhos dos espectadores, entender o tamanho do nó de nossa decadência precoce. Entender a própria arte não apenas como entretenimento mas como instrumento de denúncia social e de educação política. O roteiro se fundamenta não apenas nas raízes históricas muito bem exibidas na locação da zona canavieira pernambucana, mas nas raízes políticas de uma elite que não concebe o poder como instrumento dos cidadãos, mas apenas como lugar de privilégio, patrimonialismo, apadrinhamento, corrupção e violação legal. As cenas de violência contra a prostituta perpetradas pelos filhinhos de papai dono do engenho ilustraria um retrato absurdo da degradação da vida política e social brasileira, se não fossem perigosamente verossímeis de acontecer de fato em qualquer grande cidade do país. Como noutro dia mesmo, no episódio de espancamento da empregada Suely, no bairro elegante da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ou seria a ficção de Cláudio Assis tão realista como um documentário?

Maiores informações em www.baixiodasbestas.com.br

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