FILME

500 Almas,
documentário de Joel Pizzani

O documentário discute o processo de reconstrução da memória e da identidade dos índios Guató, tribo nômade dada como extinta através do assassinato de seu líder por fazendeiros pecuaristas atrás de grilar mais terras na região do pantanal do Brasil central. Num recenseamento realizado pelo Império no século 19, a tribo somava 500 remanescentes. Hoje, o número permanece mais ou menos o mesmo, mas muitos deles estão aculturados, vivendo na periferia das cidades pantaneiras. O número dos que ainda falam a língua nativa não chega a trinta.

O que devo chamar a atenção neste extraordinário documentário de Joel Pizzani é a citação cinematográfica de “A morte de Siegfried”, primeiro filme do grande cineasta alemão Fritz Lang, filme ainda mudo e em P&B de 1923 do diretor de Metropolis. Citação precisa de um herói mítico que, por buscar a identidade cultural de seu povo, acaba morto, herói romântico por excelência recuperado do ciclo das narrativas lendárias germânicas no ciclo da tetralogia “O anel do nibelungo”, de Richard Wagner.

Ao passo que a descoberta e pesquisa antropológica da tribo dos guató de que trata o documentário é empreendida desde a década de 70 exatamente por institutos alemãos.

500 almas reproduz também de maneira ficcional a concepção retrógrada da Igreja Católica quando teve que explicar à opinião pública européia do século XVI se os povos indígenas eram de fato homens criados por Deus e possuidores de almas. Assim como reproduz o julgamento farsante do assassinato do líder guató e os relatos de seus conterrâneos.

Vale a pena apreciar, mas com toda a calma que este documentário de beleza dispersa exige.

Mais informações, veja em:

:http://2005.festivaldorio.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=369&sid=22

http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/500-almas/500-almas.htm#Curiosidades

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