EXPOSIÇÃO

Roma Drumond,
No MAM

O concretismo nega a simbologia. Uma obra de arte deve significar apenas ela própria na sua materialidade construtiva. Como a poesia concreta quer negar o lirismo e metáforas para além das imagens acústicas e plásticas das palavras, a concretitude física sucedendo-se umas após as outras. Como a música concreta quer manifestar apenas o fenômeno físico do som.

Mas, perambulando por entre os totens concretistas de Roma Drumond, nos sentimos transportados para bosques concretos ou talvez pessoas concretas perambulantes iguais a nós meio aquele espaço espelhado de jogos de ilusão sem, no entanto, a ilusão dos espelhos. Jogo de palavras? Não! Jogo de concretos objetos de arte.

São dezesseis totens quadriláteros de estatura humana, de 1,70 a 2,00m. Em preto e branco, pintados sobre madeira em tela de 12,5cm de cada lado.

Grande surpresa conviver assim concretamente com os totens de Roma Drumond!

Até por que não esperávamos muito desta visita à exposição das recentes aquisições da coleção Gilberto Chateaubriand, para qual fomos atraído por indicação de amigos, pois o serviço de divulgação do MAM tem deixado a desejar.

Mas ter nos descoberto passeando por entre os vãos da coleção de totens de Roma Drumond valeu a viagem. O olhar das formas geométricas pintadas sobre as faces verticais dos totens, feitas em sua totalidade de quadriláteros pintados em linhas brancas sobre fundo preto, é um olhar lúdico de jogo de ilusão que segmenta e conspira contra as severas linhas verticais dos totens.

Nas artes clássicas se trataria do recurso do trompe l’oeil em que uma pintura realista de uma porta, por exemplo, sobre a face de uma parede de um palácio barroco nos iludia a cerca de sua própria existência concreta nos impelindo a abri-la e a penetrar na câmara ao lado. E, evidentemente, quebrando a cara!

E tudo isto não apenas para o divertimento do rei, se não para a saudável dúvida sobre a consistência da realidade, ou mesmo da realeza.

Como os totens de Roma nos fazem quebrar tentações de significação, libertando nosso olhar apenas para o desfrute da arte, com seu jogo eterno de suspensão do espírito.

Veja mais em http://www.romadrumond.com/

http://www.mamrio.org.br/

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