“Espero que isso não passe de protestos pacíficos”
Nova marcha da família com Deus
 
Por Mario Guerreiro
 

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Como sabemos, um dos fatores desencadeadores da Revolução de 31 de março de 1964 foi a greve dos sargentos da Marinha desafiando o código de ética militar.
 
Outro fator foi a Marcha da Família com Deus organizada por mulheres católicas, que reuniu 200.000 pessoas só em S. Paulo.
 
 
Em recente  discurso no Congressoo deputado Jair Bolsonaro, falando sobre esse acontecimento histórico, disse que quem depôs o Presidente João Goulart foi o Congresso Nacional, não os militares.
 
Tanto que, após a deposição e antes da Revolução, tivemos um breve governo provisório em que assumiu o Presidente do Congresso.
 
Disse ainda que os militares jamais teriam tomado a decisão de fazer uma revolução, caso isto não atendesse aos apelos da maioria da nação.
 
Outro fato histórico, pois quem pediu o golpe de 1964 foi a mídia em geral, os participantes da referida Marcha e a maioria das famílias católicas sentindo-se ameaçadas pelo comunismo somente por este pregar o ateísmo e a destruição da família.
 
[Como se fosse somente isto!].
 
Há quem não aprecie as ideias de Jair Bolsonaro, mas nesse discurso no Congresso, ele se limitou a enunciar verdades históricas que andam esquecidas da maioria da população.
 
E, ao que tudo indica, elas tiveram um efeito ao menos sobre um grupo da população.
 
Abro a  Folha de S. Paulo em 16 de março de 2014e eis que me deparo com a seguinte manchete: grupo organiza nova edição de passeata anticomunista de 64.
 
Confesso que fiquei perplexo com essa notícia totalmente inesperada por mim. A sociedade brasileira parecia anestesiada pela propaganda do PT mostrando um Brasil-Maravilha.
 
Eu nunca esperaria qualquer manifestação de protesto, indo além da insatisfação de caráter difuso das marchas pacíficas de junho conspurcadas pelo insano vandalismo dos Black Blocs.
 
Para a maioria da população, o comunismo era coisa do passado ou mesmo algo palatável, desde que apresentando uma face democrática, com seus membros aceitando concorrer a eleições.
 
Mas uma nova marcha está em curso. Seu organizador é o jovem Bruno Toscano, de 40 anos. E a organização é feita pelas redes sociais, como tem sido freqüente ultimamente.
 
Trata-se de um movimento político suprapartidário, hostil mesmo a essa sopa de letrinhas que são as siglas dos 40 partidos existentes até agora Segundo as palavras de Toscano, “Nenhum político que está aí serve para alguma coisa”.
 
Embora eu não concorde com esse radicalismo e com essa generalização abusiva, compreendo suas motivações para tamanho desabafo e sou solidário com o mesmo.
 
Em geral, a classe política parece estar vivendo numa torre de marfim, na Ilha da Fantasia, distanciada das preocupações do povo com a segurança pública, saúde, educação, transporte coletivo, etc.
 
Outra líder do movimento, Cristina Peviani, afirma que “tudo o que está aí é ruim”, parafraseando o finado Brizola que vivia dizendo ser “contra tudo isso que aí está”. Mas assumindo uma posição antagônica à do antigo líder do PDT.
 
Segundo a matéria da Folha, Cristina não disfarça sua saudade do período militar, que ela não considera de caráter ditatorial.
 
Talvez pelo fato de o Congresso ter permanecido aberto num sistema bipartidário, com o partido da situação – a ARENA – e o da oposição – o MDB.
 
De acordo como que pude depreender da análise do mencionado movimento feita pela Folha, ele é visceralmente contrário a uma ditadura de esquerda, mas, lamentavelmente, simpático a outra de direita.

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