“Empreendedores devem oferecer algo que seja necessário”

Quanto mais bilionários, melhor

Por João Luiz Mauad

A publicação americana Forbes divulgou nesta segunda-feira a lista das pessoas mais ricas do mundo, que conta com 1.645 nomes. Para o Brasil, não houve muitas surpresas a não ser o próprio número de brasileiros que constam da lista: 65, já contabilizada a saída de Eike Batista. Em 2013, esse número não passava de 46. Em 2012, era de 36, enquanto no ano precedente, chegou a 30. Isso significa que, em três anos, o número de bilionários avançou 116%.

O ranking completo pode ser visto aqui.

Infelizmente, malgrado esta seja uma grande notícia, muitos irão lamuriar-se, principalmente aqueles que não se cançam de abjurar as famigeradas desigualdades sociais, ainda que jamais se tenha logrado estabelecer qualquer correlação entre a pobreza de uma nação e as diferenças de rendimento dos seus indivíduos, exceto, é claro, em economias mercantilistas.

É fato, absolutamente demonstrável que, em economias capitalistas, um indivíduo somente pode enriquecer satisfazendo ou enriquecendo os demais – desde que, claro, os governos não interfiram, escolhendo campeões e desviando recursos dos pagadores de impostos para meia dúzia de amigos do rei. (Aliás, um parêntese necessário: o ponto negativo da lista é que há nela, realmente, uma minoria de indivíduos cuja fortuna pode ser creditada, em grande medida, às boas conecções com o Leviatã).

Numa economia em que predomine a livre iniciativa, portanto, os empreendedores devem produzir e oferecer algo que seja necessário e agrade aos consumidores pois, de outra forma, estes não se disporão a pagar-lhe o preço pedido. Desde o mais simples alfinete até o mais sofisticado automóvel, o objetivo do fabricante não será outro senão agradar o cliente, sob pena de sucumbir ante a voracidade da concorrência. Em outras palavras, qualquer um que deseje enriquecer numa economia de mercado deverá, antes de qualquer outra coisa, laborar para servir ao próximo, mesmo que a sua efetiva intenção seja exclusivamente o benefício próprio.

Com efeito, esse mesmo empresário, ao amealhar grande fortuna, estará beneficiando, direta ou indiretamente, uma gama imensa de pessoas. Além dos consumidores, já mencionados, há os empregados que para ele trabalham, bem como todos aqueles que, de alguma maneira, estejam atrelados àquela cadeia produtiva específica. Sem mencionar que a maior parte dos lucros obtidos serão, muito provavelmente, reinvestidos no próprio negócio ou em novos outros, impulsionando esse moto contínuo e virtuoso.

É por isso que, parafraseando o grande Adam Smith, tudo que eu espero dos empresários, industriais, comerciantes e executivos em geral é que eles cuidem bem dos seus interesses, que perseverem na busca do benefício próprio e enriqueçam muito, muito mesmo (sem a ajuda do governo, claro). Pois, agindo assim, eles estarão sempre tentando descobrir a melhor forma de agradar ao seu verdadeiro patrão, todos nós consumidores.

* João Luiz Mauad é administrador de empresas.

Deixe uma resposta