“Eleitorado do Haiti não pode aspirar a ter representantes da Finlândia”
Pobreza e ignorância: os melhores cabos eleitorais no Brasil
 
Por Mario Guerreiro
 

Titeleitorindia2006

O título deste artigo é uma paráfrase do de outro publicado na Folha de S. Paulo em 2/3/2014, a saber: Eleitorado de Dilma é o mais pobre e menos escolarizado.
 
Este, por sua vez, está baseado numa pesquisa eleitoral feita pelo Datafolha abrangendo todo o território nacional.
 
Esta foi realizada entre 19 e 20 de fevereiro, junto a 2.614 pessoas, com uma margem de erro de 2 pontos.
 
Resumiremos o conteúdo do mencionado artigo da Folha, para posteriormente fazer nossa interpretação dos dados colhidos pela pesquisa.
 
De saída, o artigo procura caracterizar em breves traços o perfil do eleitor brasileiro:
 
“O típico eleitor brasileiro de 2014 tem entre 25 e 34 anos, possui ensino médio e renda familiar mensal baixa de até R$1.448. Mora na Região Sudeste, em município pequeno do interior, com menos de 50.000 habitantes.”
 
[Apenas uma breve observação: um indivíduo ganhando a referida quantia seria inserido na classe pobre pelos melhores economistas. Porém, de acordo com o fajuto critério do PT, quem ganha de R$ 200 a R$ 2.000 é considerado “classe média”. Uau! Nem que o Saci andasse de patinete!].
 
O artigo da Folha conclui acertadamente que esse eleitor típico tem justamente o perfil do eleitor de Dilma:
 
“Seus simpatizantes são os que reúnem as características mais parecidas com as do perfil social mais numeroso da população.”
 
Em outras palavras: a maioria dos eleitores brasileiros é pobre e semiletrada. Você já podia saber disso, mas é importante que uma pesquisa mostre isso num grande jornal para um grande número de leitores.
 
A inferência feita pelo artigo da Folha é logicamente impecável: “Dilma é a única cuja maioria absoluta de seus eleitores (51%) tem renda familiar mensal de até 1.448, o recorte mais baixo da estratificação e o grupo mais numeroso da população”.
 
O artigo passa, então, a apontar outro traço relevante da maioria desse eleitorado de Dilma:
 
(…) “É a baixa escolaridade: 44% deles têm ensino fundamental, 44% têm ensino médio, índices próximos do padrão mais freqüente na população”. Contudo, há uma característica fortemente destoante: a regional.
 
“Adeptos de Dilma são proporcionalmente menos numerosos no Sudeste e mais numeroso no Nordeste”. Você já podia saber disso, mas é importante que uma pesquisa mostre isso num grande jornal para um grande público.
 
O artigo afirma que os eleitores de Aécio Neves (PSDB) e Marina da Silva (PSB) estão situados no pólo oposto ao de Dilma.
 
Quase 30% dos eleitores de Marina têm ensino superior (com Dilma são 12%) e a maioria deles está em cidades grandes, com mais de 500 mil habitantes.
 
[Apenas uma breve observação: o que era de se esperar, uma vez que Marina é identificada como defensora intransigente da ecologia, e isto exerce forte apelo nos meios intelectuais e universitários].
 
Quanto aos simpatizantes de Aécio, estes se concentram na região Sudeste (57%) e há uma preponderância de um perfil “mais abastado”, segundo a expressão usada pelo artigo.
 
O que, de acordo com a interpretação deste mesmo, “sugere uma possível repetição das divisões de classe dos pleitos de 2006 e 2010”.
 
Pensamos que sugere também outra dicotomia:
 
Entre a relativamente próspera e possuidora de um razoável padrão educacional contrastando com a pobre e possuidora de um padrão educacional lamentável, ou seja: uma dicotomia entre as regiões Sudeste e Nordeste respectivamente.
 
O artigo vai mais longe apresentando o curriculum de dois eleitores típicos de Dilma e de Aécio em que os referidos contrastes saltam aos olhos:
 
Eleitor típico de Dilma é João André do Nascimento Filho, 23 anos, um profissional liberal que se dedica a consertar celulares e já declarou seu voto na candidata considerada por ele como “corajosa” e “prestativa”.
 
Morador de Madalena (CE), cidade de 18.000 habitantes e a 180 km de Fortaleza. Como ele recebe em torno de R$200 é um pobre, só considerado classe média pelo critério fajuto do PT.
 
O que ele ganha mal dá para pagar o aluguel de sua casa de dois quartos situada na periferia da cidade, mas sua renda é completada pelos R$130 mensais do Bolsa Família recebidos por sua mulher, Magda Crispim.
 
[Mesmo com esse adicional ele continua pobre, de acordo com um sério critério econômico, pois ganha cerca de metade de um salário mínimo].
 
Além de sua mulher, duas de suas irmãs também recebem o Bolsa Família. Segundo João André: “Se não fosse isto, toda minha família estaria passando fome”.
 
O que é a pura expressão da verdade nua e crua! Seriam miseráveis (em estado de “pobreza absoluta”, de acordo com a ONU), não pobres, como passaram a ser graças ao Bolsa Família.
 
A propaganda do PT vive dizendo que seu partido tirou 30 milhões da pobreza e colocou-os na classe média. Quando o fato é que tirou 30 milhões da miséria tornando-os

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