É passada a época da campanha do <em>“petróleo é nosso”</em>

A Petrobras é nossa!

Por Jorge Maranhão

Publicado na revista Época em 20/07/2009

Uma das razões alegadas pelo presidente Lula para bancar José Sarney no Senado é a CPI da Petrobras. Por temer um eventual escândalo no executivo, em ano pré-eleitoral, abafa outro no legislativo. Não é a primeira vez que o presidente e a Petrobras deixam transparecer este desentendimento sobre a natureza da coisa pública. Se a governança da Petrobras tem evoluído nos últimos anos de empresa estatal, ao sabor dos interesses episódicos de partidos políticos no poder, para uma empresa realmente pública, com ações que montam a 30% do volume da Bovespa, negociadas em bolsas internacionais, e patrimônio estimado de 1,5 milhões de trabalhadores através de fundos privados e do FGTS, por que tanto receio de uma investigação?

É balela a argumentação de que o aprofundamento das investigações sobre as irregularidades apontadas pelo TCU poderá abalar a credibilidade da Petrobras. Ao contrário da xaropada nacionalista, ela sairá da CPI mais transparente e atraente para seus investidores. Da fala do presidente de que as reservas são de propriedade da União ao comunicado oficial da Petrobras de que ela é do governo, há uma fatal confusão entre as funções do Estado e dos governos, assim como um total desentendimento do valor universal da propriedade como princípio constitutivo da própria cidadania.

É a tentação totalitária de achar que governos, por mais legítimos que sejam, são a própria sociedade e não apenas sua representação temporária, quando a representação da União pertence às instituições do Estado democrático garantidas por quadros profissionais de carreira egressos de concursos públicos. Com o desenrolar desta batalha política, com ou sem CPI, a cidadania sairá fortalecida pelo discernimento cada vez maior entre interesses de políticos oportunistas, que só pensam em aparelhar empresas e agências reguladoras, e os interesses genuinamente públicos dos cidadãos. É passada a época da campanha demagógica do “petróleo é nosso”, uma vez que sabemos que só vira riqueza de fato se explorado. Hoje, o lema democrático de interesse do cidadão é “a Petrobras é nossa”, pública e transparente!

* Jorge Maranhão é consultor em cidadania corporativa, comentarista da CBN e diretor do Instituto de Cultura de Cidadania A Voz do Cidadão. Email [email protected]

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