ARTIGO

Uma nova cultura política
Rosiska Darcy de Oliveira
Publicado no site “www.riocomovamos.org.br”

Como vai o Rio de Janeiro? A pergunta se impõe a quem tem o seu destino associado ao desta terra. Quem sabe, de fato, como vamos, para além de sentimentos e impressões? Os descontentamentos, as indignações, esbarram na dificuldade de argumentar e influir sem conhecimento de causa. A educação vai bem ou mal? Poderia estar melhor? Qual a percepção da população sobre o dia a dia de seus filhos na escola? A violência aumentou? E a saúde, e os transportes, e tantos outros aspectos da vida que falam alto sobre a sua boa ou má qualidade. Como melhorar, com atos e fatos, nossa qualidade de vida? Como sair da posição passiva da vítima, uma população que resmunga contra ”eles”. Eles, as autoridades, nós, a população, como se fora uma relação entre estranhos?

Um grupo de cariocas, que amam sua cidade e é nela que querem viver, criou o Rio, Como Vamos, uma iniciativa que aposta em uma nova cultura política. Postura ativa face aos problemas da cidade, para além da delegação de poderes que o voto significa, estamos propondo uma democracia corporificada em cada um, empenhada em melhorar sempre a qualidade de vida na cidade e no estado.

Cidadania não é uma palavra mágica que uma vez pronunciada produz resultados. Nem é um presente que as autoridades dão aos seus eleitores se, quando e como querem. Cidadania é uma conquista permanente do respeito por quem paga imposto e a quem são devidas, em troca, políticas públicas eficazes. Cidadania é uma realidade que existe ou não e que depende tanto da atitude dos governantes quanto dos governados. É uma relação viva que se estabelece entre eles ou se fossiliza em um conceito desgastado e vazio.

É do nosso interesse e obrigação acompanhar passo a passo as políticas tão facilmente alardeadas nos discursos dos candidatos em tempos de eleição e cobrar resultados. Para isso o instrumento essencial é conhecer os indicadores que balizam a vida da cidade e do estado. Esses indicadores existem perdidos no cipoal de instituições que os produzem, opacos à leitura do comum dos mortais, inúteis ao controle de quem não consegue manejá-los. Se bem traduzidos, tornados compreensíveis, são utilíssimo combustível da ação política, o argumento qualificado, aquele que autoriza um dialogo de pares entre população e governantes. Esse é o trabalho que o Rio Como Vamos quer fazer.

Quer ser uma alavanca da anti-demagogia, quer dissipar a neblina em que se perdem as políticas de interesse público, a que permite o jogo eterno das promessas mirabolantes e não cumpridas. Quer torná-las controláveis, criar uma cultura de informação clara, incentivar a participação baseada no conhecimento. Indicadores traduzidos, compreensíveis e utilizáveis são instrumentos preciosos na apreciação da política e dos políticos. Tanto mais preciosos quando associados à percepção da população, à avaliação que ela mesma faz de sua qualidade de vida.

Um instrumento, no entanto, não trabalha por si. Ele só ganha energia quando indivíduos e organizações fazem uso dele para enriquecer sua interlocução com o poder público, e com o setor privado sempre que este interfira no interesse público. Por isso a iniciativa desse grupo de cariocas é um convite a todos para que inaugurem o hábito de monitorar o exercício do poder, de exigir que lhe prestem contas, de verificar se o que foi prometido está sendo cumprido, se um índice que se altera indica tendência de sucesso ou fracasso. Cobrar da política uma eficiência que hoje ela não tem, restituindo-lhe um estofo de honestidade nos dados e transparência na comunicação. Testar a confiabilidade dos governantes pela competência de apresentar resultados concretos, verificáveis. Só essa competência os qualifica para as posições que se propõem ocupar.

Uma nova cultura política, instrumentos confiáveis de avaliação ao alcance de qualquer um, autoridade no dialogo com a autoridade, o Rio Como Vamos é, em si mesmo, uma prova de que os cariocas não desistem de viver melhor, querem e vão se dedicar a melhorar sua terra à qual devotam uma incansável ternura.

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