Aldous Huxley: “Fatos não deixam de existir porque são ignorados”

Brasil: potencia mundial?

Por José Celso de Macedo Soares*

O Presidente Lula, com sua habitual jactância , vive bradando: “O Brasil, no meu governo, já é potência mundial. Sentamos nas conferências mundiais de igual para igual com qualquer país do primeiro mundo, etc. etc.”

Tudo bem. O Brasil já avançou muito em inúmeros setores, igualando-se em alguns deles, ao que há de melhor no mundo. Mas temos que ir devagar com o andor, para não cairmos no ridículo se, não analisarmos com exatidão, nossas potencialidades. Primeiro, temos que fazer justiça à geração de brasileiros que, nos diversos setores, construíram o que temos de melhor. No Império, com o Parlamento dos Visconde do Rio Branco, Marquês do Paraná, Nabuco de Araújo, Visconde do Uruguai, para só citar alguns, montou-se o arcabouço jurídico em que se assentam as instituições brasileiras. Mauá, com seu pioneirismo empresarial, Rui Barbosa na eloqüência e conhecimento jurídico e, mais recentemente, Juscelino Kubitschek com sua visão de Brasil grande , são exemplos de construtores do país. E, para desmentir Lula que, com sua ignorância da História do Brasil, vive repetindo “Nunca dantes neste país houve governo que realizasse tanto quanto nós”… Mas, por amor ao raciocínio, vou analisar, no contexto mundial, nossa posição nos campos econômico, cultural, educacional e social.

Começo pela economia. De fato, pelo seu PIB-Produto Interno Bruto, ocupamos boa posição entre nações. Setores já alcançaram destaque como a agropecuária, em que somos dos primeiros na exportação de vários produtos como soja, celulose, açúcar, algodão, café. E, isto foi conseguido com intenso trabalho da iniciativa privada, melhor aproveitamento do solo, altas taxas de produtividade. Louve-se, no particular, o extraordinário trabalho da “Embrapa-Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias”, que hoje é reconhecia como líder mundial nas pesquisas da agricultura tropical. Nossa indústria, em vários setores, atingiu padrões mundiais. Para só citar algumas: a “Embraer- Empresa Brasileira de Aeronáutica”, hoje a maior fabricante de jatos regionais do mundo;.a indústria automobilística brasileira tem produtos comparados aos melhores do planeta; nossa indústria siderúrgica tem padrões mundiais; a Petrobrás é líder na exploração de petróleo em águas profundas. Mas, a otimização da produção depende de vários fatores, sendo dos mais importantes a infraestrutura necessária para suportar a movimentação dos componentes e produtos fabricados. Neste particular o mau estado das rodovias, a baixa utilização do transporte ferroviário, a falta de aproveitamento das vias fluviais – o mais barato meio de transporte existente – portos em péssimo estado, nos colocam em má situação comparada a outros países. Por conseguinte, temos muito a fazer no campo econômico, para sermos potência mundial.

Agora a produção cultural. Torna-se difícil fazer comparações neste campo.Temos excelentes valores individuais mas, como um todo, há muito que fazer.As manifestações culturais dependem muito do arcabouço educacional existente. Muitas de nossas escolas públicas estão sucateadas e em grande parte do país, principalmente no Nordeste, há regiões completamente desprovidas de escolas.

Mas, o aspecto que nos coloca em grande desvantagem é a tremenda desigualdade social existente. Para exemplificar, há Estados como o Maranhão, em que 50,1% da população é atendida pelo Bolsa Família ( “O Globo”,03/05/2009). A simples existência do Bolsa Família, mostra que, no campo social, estamos longe de sermos potência. Só para exemplificar: não me consta que a Suécia tenha Bolsa Família…

Agora pergunto: vale a pena ser potência mundial dentro dos paradigmas atuais das grandes potências mundiais? Ou procurar a melhor qualidade de vida, o melhor índice de desenvolvimento humano? Que o digam as pequenas Dinamarca e Suíça.

Temos melhorado bastante em todos os setores e, não há razão para pessimismos. Mas, há longo caminho a percorrer para sermos considerados potência mundial. É bom que o governante instile otimismo nos governados. Mas, eu prefiro ficar com Aldous Huxley : “Fatos não deixam de existir porque são ignorados”

* José Celso de Macedo Soares é almirante, empresário, escritor. E-mail: [email protected]

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