A Voz do Cidadão
  Sábado, 4 de fevereiro de 2012.

 

     
 
busca
Editorial
Editorial da Semana
 
A Voz do Cidadão
O que é a Voz do Cidadão
Programas desenvolvidos
Quem faz
Apoios
Colaboradores
Nossos parceiros
Oficinas de Cidadania
Prestação de contas
 
O que é Cidadania
Os 10 mandamentos
Direitos dos Cidadãos
História da Cidadania
 
A Voz do Cidadão na mídia
Jornais
Televisão
Rádio Globo
Rede CBN
Clipping
 
Participe
Manifestos
Indique Cidadão Exemplar
Cidadãos Exemplares
Flagrantes da Cidadania
Defesa do Eleitor
Mandato Cidadão
Memória Política
Memória da Impunidade
Responsabilidade política
Mural do Cidadão
Blog do Maranhão
Tome Conta do Brasil
Voto Livre
Saúde Pública
Enquetes
Associe-se
 
Informações sobre Cidadania
Agenda da Cidadania
Bibliografia
Artigos
Citações
 
Links dos Cidadãos
Órgãos Públicos
Entidades Privadas
 
Materiais de Campanha
Downloads
Lojinha
Texto-guia
 
 
Receba nossos informativos
 
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
   
 
   
 
 
 
   
 
 
 
   
 
   
 
   
 
 
 
 
 
   
 
   
 
   

 

Seminário comemorou os cinco anos do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo

No dia 1º. de setembro de 2010, foi realizado em São Paulo o III Seminário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, durante o qual foram apresentados os avanços obtidos nestes cinco anos de existência do pacto e discutidos os desafios que ainda existem para erradicar do país esse grave crime contra os direitos humanos.

O seminário, que ganhou caráter internacional nesta edição, com a participação de organizações dos Estados Unidos e da Europa, reuniu os signatários para um balanço do cumprimento do acordo, a apresentação de resultados do monitoramento e discussões sobre a situação nas cadeias produtivas em que se observa a incidência desse problema, além de apresentações de boas práticas empresariais contra a escravidão contemporânea.

A Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, a ANPT, foi representada pelo vice-presidente da entidade, Carlos Eduardo de Azevedo Lima. Além dele, também marcou presença a procuradora do Trabalho e vice-coordenadora da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, Paula de Ávila Nunes.

A auditora fiscal do trabalho Jacqueline Carrijo representou o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho /SINAIT no evento e nos forneceu um resumo detalhado da participação de várias instituições, conforme relatamos abaixo. Vale a pena conhecer as principais idéias e conclusões dos debates.

OIT-Organização Internacional do Trabalho –Segundo Laís Abramo, representante da OIT, há aproximadamente 1.300.000 trabalhadores escravos na América Latina. O reconhecimento oficial do governo brasileiro é importante, contudo esse não é um problema somente no Brasil. A partir do reconhecimento é possível a constituição de instituições e mecanismos de prevenção e erradicação, além da possibilidade de se construir alianças sendo esse um dos objetivos do Pacto. A OIT exaltou a importância da Lista Suja como um mecanismo de prevenção e repressão. Também foi considerado importante o compromisso do setor privado no processo de erradicação, considerando-se que, com o seu envolvimento, é possível atingir de forma mais ampla os vários setores econômicos na busca pela sustentabilidade econômica, social e ambiental do país.

Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - A partir do momento que o governo assume a existência do problema, os órgãos estatais conseguem trabalhar melhor. O problema social envolvido na questão do trabalho não tem apenas um lado, é multilateral. Desse modo, políticas públicas eficazes devem ser construídas com atores que atuam no dia a dia dos problemas. José Guerra, representante da Secretaria, ressaltou que existência do trabalho escravo não é um problema só do poder público e que somente com atuação conjunta todos os agentes envolvidos na erradicação terão uma atuação mais efetiva. Ressaltou ainda que o trabalho Escravo traz consigo outros problemas tais como exploração sexual, degradação ambiental, entre outros.

Instituto Ethos - Caio Magri, representando o Ethos requereu o fortalecimento da institucionalidade da Lista Suja, para que essa ferramenta importante não fique apenas numa portaria. Magri considerou a importância do diálogo para o estabelecimento de um paradigma de sustentabilidade para a sociedade para um mercado novo que atende a um padrão civilizatório digno: “É uma oportunidade esse evento para que fique claro que as empresas não podem ter padrões distintos de acordo com o país onde opera”. Ressaltou que é importante trabalhar com o mesmo padrão no mundo: “Se as pessoas tomam conhecimento que as operações das empresas desagregam, degradam o homem e o meio ambiente, essa prática não ser construída e alimentada na sua competitividade”. Através das empresas que operam aqui e em outros países, tal consciência empresarial é importante para elevar os padrões de humanização das relações de trabalho para os outros países.

Repórter Brasil - O representante Leonardo Sakamoto observou os bons resultados do grupo móvel e a atuação dos Auditores Fiscais do Trabalho no combate ao trabalho escravo no Brasil. Sakamoto afirmou ainda que existem departamentos de responsabilidade social nas empresas que já compreendem a importância do problema do trabalho escravo. E que esse assunto tem feito parte das ações da organização Repórter Brasil entre os signatários do Pacto.

Fundação Getúlio Vargas - A instituição criou um centro de estudos de sustentabilidade para a realização de pesquisas para apontar tendências e erros de gestão. Constatou-se nas pesquisas que as empresas conhecem os riscos de imagem e os impactos nela dos riscos operacionais, especialmente nas linhas de crédito. Segundo Paula Peirão, representante da FGV no evento, as empresas entrevistadas sabem da importância do mercado de investidores e cada vez mais os investidores se preocupam com trabalho escravo, com os riscos das devastações ambientais. A maioria das entrevistadas declarou que faz monitoramento da cadeia produtiva, mas não declaram a forma desse monitoramento. Afirmaram ainda que utilizam a Lista Suja como ferramenta importante no monitoramento, e também foi apontado na pesquisa que pequeno número de empresas faz engajamento ativo. A pesquisa apontou que os investidores pedem o comprometimento das empresas com cartas de engajamento (Pacto de Erradicação do Trabalho Escravo, Pacto da Pecuária) e as empresas têm que saber que essa é uma realidade que veio para ficar, o conceito global dos Princípios do Investimento Sustentável.

Walmart - Segundo Paulo Mindlin, representante da empresa, os supermercados estão na ponta de muitas cadeias produtivas e conduzem negociações duras. A empresa firma Pactos Setoriais (Pacto pela Erradicação do Trabalho Escravo; Moratória da Soja), buscando influenciar seus fornecedores nos compromissos firmados para garantia da sustentabilidade da Amazônia, com o estabelecimento de compras responsáveis e com a redução de resíduos. A empresa trouxe ao evento a informação que trabalha intensamente pela aprovação da PEC 438, e que, para isso, entregou 250.000 assinaturas no Congresso Nacional pela aprovação da PEC.

Viena Siderúrgica - A empresa informou que os trabalhadores libertos das carvoarias fornecedoras da empresa tinham poucas chances de reinserção. A empresa então decidiu investir na capacitação desses jovens e até mesmo com alfabetização, através do projeto Viena Educar.

SLC Agrícola - No setor de soja, milho e algodão falta gente qualificada para operar máquinas, seguir regras, estão investindo na seleção dos trabalhadores mais adequados para as operações. O representante da empresa, Álvaro Dilli, salientou que é possível ter lucro de forma legal em perfeito cumprimento com as determinações constantes no PCMSO e PPRA. Ele lembra o Round table on responsabable soy, que é a diretiva européia paro o combustível brasileiro e que tem os seguintes princípios consolidados:

1) conformidade legal e boas práticas de negociação
2) condições de trabalho responsável;
3) boas práticas agrícolas redução da aplicação de defensivos; jamais operar com produtos condenados; balanço amigável com meio ambiente
4) relação responsável com as comunidades;
5) responsabilidade ambiental.

Para mais informações sobre o III Seminário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo e sobre trabalho em condições agressivas ou análogas à escravidão, preparamos a seguir uma lista de links com informações íteis sobre o tema. Acessem:

- Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho-SINAIT >>
- Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho-ANPT >>
- Organização Internacional do Trabalho-OIT >>
- Ministério do Trabalho e Emprego-seção Combate ao Trabalho Escravo >>
- Ong Repórter Brasil >>
- Blog do III Seminário com as apresentações feitas no evento >>