Outro exemplo da torção e retorção barroca das elites brasileiras. A Justiça, aliás, é campeã neste tipo de visão e ação absolutamente alienadas e inescrupulosas de nossas elites. Vive exarando – e viva o juridiquês alienante!!! –  sentenças de deixar o cidadão comum atordoado e sem rumo. Eis que a Justiça brasileira não é mais justa e deixa de ter razão de ser para a sociedade, caindo em total descrédito. Para além de imoral, a decisão de responsabilizar o Estado a indenizar presidiários por maus tratos e alegados “danos morais” nos presídios federais é um escárnio, tamanha a inversão de valores, o paradoxo labiríntico de uma mente barroca e inferna. Ou mera provocação para ver até onde suporta a infinita paciência do povo brasileiro. Como clama e reclama o youtuber: o Estado brasileiro também vai pagar indenização aos milhões de cidadãos mal atendidos, quando não assassinados, nas filas de hospitais públicos com seus orçamentos desviados para a corrupção dos políticos, ou às milhões de vítimas da insegurança pública, também sucateada pelos mesmos desmandos? Ou aos milhões de funcionários públicos das áreas de educação e assistência social com salários atrasados pelo saqueamento dos tesouros estaduais e municipais de quadrilhas de políticos que deveriam estar presos, mas estão soltos por garantismo irresponsável de tribunais superiores? Ou realmente a Justiça brasileira se entregou definitivamente ao princípio dos dois pesos, duas medidas? Para André, se trata simplesmente de inversão de valores, quando eu já acho que se trata de corrupção de valores, malignidade pior do que a própria corrupção política de recursos públicos. Pois: a questão do barroquismo mental brasileiro é exatamente esta. Se as hipérboles, os paradoxos, o cultismo, as elipses, as metáforas e ironias, as espirais e volutas do barroco brasileiro são comoventes nas artes plásticas, nas letras e na catequese e caridade jesuíticas, esta mesma cultura barroca aplicada na vida cívica e política dos cidadãos é simplesmente desastrosa. No campo da Justiça e da Política temos de retornar ao classicismo, onde tudo é mais racional e sem subterfúgios. Não podemos continuar a ser pão-de-queijo. Temos de ser pão-pão queijo-queijo.

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