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Temos de agir e agir rápido!
Em: 8/11/2005
 
... Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho... Carlos Drummond de Andrade

A crítica literária atribui ao legado modernista do poema-piada os versos de “Uma pedra no meio do caminho”, incluídos na obra de estréia de nosso poeta maior Alguma Poesia, de 1930. O que chegou a lhe valer décadas depois uma coletânea inteira reunindo glosas, paródias, elogios e críticas sobre o poema (Uma pedra no meio do caminho: biografia de um poema, Arnaldo Saraiva, Rio, 1967).

Muito já se especulou sobre o que seria esta pedra. De simples tropeço de quem nasceu gauche na vida a poema de maior fôlego de nossa língua e entre os melhores da literatura universal. Antes tivesse sido apenas mais um acidente geográfico do topônimo Itabira das pedras e montanhas mineiras. Antes tivesse sido mesmo mais uma das variações de nossos impedimentos desde o Cabo das Tormentas dos Lusíadas. Ou quem sabe a versão tupiniquim do mito de Sísifo sem esse extremado esforço de se pôr contra a lei da gravidade. A pedra da esfinge da entrada de Tebas, a Pedra do Reino do sertanejo Ariano ou a pedra do apóstolo Pedro sob a qual se fundou nosso particular cristianismo. Mas não! Esta pedra do meio do caminho mais parece o nosso caminho das pedras. A pedra de toque, a metáfora maior, o sentido mais profundo de nossa própria cultura. A pedra filosofal de nossa origem e destino, de nossos impasses e contradições. E diante disso, eu também me permito ousar aqui mais uma decifração sobre a pedra do poeta maior. Pois a questão não é apenas esgotar o seu significado, mas o dilema de estarmos sempre entre duas alternativas diante da pedra: ou vamos pra frente pela via da topada ou empacamos em estado de perplexidade. No entanto, temos ultrapassado tantas pedras quanto o destino nos tem colocado no caminho. Desde o parto da República, onde começamos a nos perguntar quem éramos e o que queríamos como destino. Foi assim com as maiores obras dos maiores intérpretes nacionais, de Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, até Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e tantos outros mais recentes. Mas não com o nosso poeta maior, que jamais pretendeu interpretar o Brasil, se não uma “tentativa de interpretação do estar no mundo”. Sentimento do mundo, como diria mais tarde.

Mas o fato é que depois deste poema, temos removido seguidas pedras que encontramos no meio de nossos caminhos. Em campos tão díspares quanto a literatura, as artes, a arquitetura, as ciências, a engenharia, a medicina, os esportes, driblamos todas as pedras. De todas as culturas e agriculturas, das tecnologias, das aeronáuticas, dos comércios e das indústrias, todos os caminhos percorremos, de igual para igual, entre as culturas mais desenvolvidas do mundo. A ponto de me assombrar essa indagação dolorosa sobre o presente: por que empacamos logo agora? Por que em pedra tão colossal quanto a desse imbróglio político nos topamos agora? Pois tenho insistido na tese de que a pedra que nos atravanca o progresso civilizatório é a pedra de nossa miséria política. Para não dizer um pastiche, somos apenas uma paródia de cidadania. Por que nossa cultura de cidadania é desprovida da cultura política que lhe define a sua própria essência. Pois cultura de cidadania, mas do que cultura de cidadãos moradores reivindicadores de direitos civis, de justiça e segurança, mais do que cultura de cidadãos consumidores e contribuintes reivindicadores de direitos econômicos e sociais do Estado e dos mercados, é essencialmente cultura política de cidadãos eleitores, reivindicadores de plenos direitos políticos, de participar da gestão da coisa pública, de controlar os mandatos e cobrar responsabilidade política dos eleitos sobre seus compromissos de campanha. Só tiraremos esta pedra do meio de nosso caminho quando ultrapassarmos o impasse entre a topada e a empacada. Se a grande questão nacional foi no passado o que fazemos com a pedra, hoje já não há mais tempo para essas questões. Temos de agir e agir rápido! Partir para cima da pedra de nossa miséria política, golpeá-la com a mais afiada arma da nossa cultura, a mídia que atalha e turbina a educação, transformar seu farelo em pavimento e retomar o caminho da grandeza para os que nos sucedem!

 
 
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