CARTA ABERTA AOS SENADORES DA REPÚBLICA
Por Luís Stefano Grigolin
Caros Senadores da República Federativa do Brasil,
É com pesar e apreensão que acompanho os mais de cem dias que remontam ao início das denúncias sobre o terceiro cargo hierárquico da nação. Cabe a Vossas Excelências o julgamento político da questão no Senado, onde não se pode deixar de se levar em consideração o mega arrasto político social causado por este incidente. Nacional e internacionalmente o Brasil vem ocupando as páginas das maiores publicações do planeta com indícios de corrupção, malversação de dinheiro público, tráfico de influencias, formação de quadrilha, incompetência administrativa, prepotência de políticos e líderes, arrogância, ignorância dos princípios constitucionais e da lei e sobretudo a criação dos cidadãos de primeira e segunda classe. O Supremo Tribunal Federal acaba de prestar um relevante serviço aos brasileiros de bem, ao não transformar o foro privilegiado, uma excrescência da política nacional, em esconderijo de réus de primeira classe.
Cabe aos senhores agora resgatar a imagem do poder legislativo, tão abalada pela pior legislatura da história do Brasil, que foi a última, a 52ª da república. A 53ª legislatura começa a querer competir com a anterior, de forma que princípios, consciência, caráter e dignidade não podem faltar aos senhores neste momento em que a opinião popular ecoa a sua voz rouca pelas ruas.
O descrédito das instituições, aliado a sensação de impunidade e de privilégios, não são princípios republicanos. Resgatem a imagem do Senado da República!
Independente dos desdobramentos que vierem a tomar o caso que envolve o Senador Renan Calheiros no Ministério Público, na Justiça, na Receita Federal, e não tenho a intenção aqui de fazer qualquer julgamento neste contexto, há o flagrante desrespeito ao decoro parlamentar. Como cidadão tenho o dever de solicitar aos Senadores representantes do Estado de São Paulo, eleitos por uma população que em sua maioria não tem dúvidas a este respeito, que votem pela cassação do mandato do Senador e Presidente do Congresso Nacional. Como cidadão tenho o direito de fazer o juízo político dos nossos representantes, principalmente aqueles que não entendem que a partir do momento em que aceitam ser representantes políticos em cargos públicos de qualquer natureza, abrem mão da sua vida privada, que passa a compor um mesmo conjunto a ser avaliado na questão da probidade. Ninguém é obrigado a candidatar-se ou exercer cargo público. Nesta medida, que sejam homens públicos em sua íntegra, agindo de forma exemplar na vida pública e privada. Se isso não se enquadra, que deixem de ser homens públicos para exercer em plenitude os direitos que qualquer cidadão tem em sua vida privada. Agora, o instrumento legítimo e eficaz está a cargo dos Senadores, através de votação no plenário, para levar a efeito a opinião da população, que de forma democrática não pode ser desprezada.
Eu não posso deixar de expressar a minha opinião, num fato que cria precedente histórico, junto a minha categoria profissional, na qual sou formador de opinião, e exercer a cidadania em plenitude. Não fico em cima do muro e tão pouco posso me esconder atrás de um voto secreto.
Conclamo os corretores de seguros profissionais do Brasil a manifestarem seu entendimento aos Senadores de seus respectivos Estados da Federação. Para tanto envio a relação dos senhores Senadores da República em exercício de mandato:
Este ato cívico importa na tomada de atitude, de um povo tido como tolerante com as mazelas políticas deste país, mas que lentamente desperta através da informação, a sua consciência política, cívica e de cidadania.
Exerça os seus direitos. Eu exerci o meu!
Luís Stefano Grigolin, 43, corretor de seguros, consultor e especialista em tecnologia da informação, jornalista, com 29 anos de atuação no mercado de seguros. |