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Por:
Em: 11/6/2010
 

O governo Lula vive alardeando sua opção pelos pobres, medidas como Bolsa Família, casas para todos, etc., etc. Seria bom, entretanto, que olhasse para o quanto os impostos gravam o dia a dia dos mais necessitados. Comecemos pelos alimentos.

O Brasil é dos países que mais tributam alimentos no mundo. Pesquisa recente mostra a carga media de impostos sobre alimentos em alguns países: Estados Unidos, 0,7%; Europa, 5%; Brasil, 17%. Aí estão os números. Os leitores vão me perdoar com a citação de mais alguns números revelados pelo mesmo estudo e que afetam o dia a dia do cidadão. Alguns itens. Apresentamos os valores de impostos pagos pelo consumidor a cada 100 reais gastos: conta de luz, 64,60 reais; conta de telefone, 40,20 reais; leite longa vida, 19,80 reais;carne bovina,19,40 reais; açúcar, 19,40 reais; pão. 17,7 reais; arroz, 7,9 reais.Vejam a enormidade.De acordo com os números citados, na conta de luz, 64,60% da conta são impostos.Quando se compra carne bovina, 19,4% % são impostos; pão, 17,7%. E por aí vai. O brasileiro não tem a menor noção dos impostos que estão embutidos em cada compra que faz. Nos países mais adiantados, como nos Estados Unidos, por exemplo, todo o preço exposto nas vitrines tem destacado o valor da “Sales Tax”(imposto de venda )Porque não se obriga aqui este procedimento? Porque, evidentemente, os governos não gostam de mostrar o que estão arrancando do contribuinte, em cada venda, para sustentar as arcaicas e superdimencionadas burocracias federais, estaduais e municipais existentes no Brasil.

O estudo vai mais além e, mostra que,os gastos das famílias com alimentação por faixa de renda, comparada com suas despesas totais,é proporcionalmente maior sobre a população de baixo poder aquisitivo. Alguns números:quem ganha até 1.000(hum mil)reais por mês gasta 19,6% de sua renda com alimentação.De 1.000 (hum mil) a 2.000 ( dois mil) reais, 15,8% No outro extremo, que ganha mais de 32.000 ( trinta e dois mil) reais por mês gasta apenas 4,1% de sua renda com alimentação.E o mais importante: as duas faixas de renda mais baixas- as das pessoas que ganham até 2.000  (dois mil) reais por mês-representam 71% ( setenta e um) da população brasileira.Estes números estão apresentados na revista “Exame”, edição de 5 de Maio de 2010.

Outros estudos  demonstram que se fossem eliminados os impostos sobre os 8 alimentos que integram a cesta básica, a renda das classes mais pobres subiria 17%.

Temos que fazer uma profunda reflexão sobre estes números. O quadro mostra a tremenda desigualdade na distribuição de renda no Brasil, onde 71% da população brasileira, repetimos, é de baixa renda, ganhando até 2.000 reais por mês. Varias medidas podem ser feitas para melhorar o quadro. A correta aplicação de impostos é uma delas, principalmente os que afetam a compra de alimentos, vital para o suporte das famílias mais pobres. Eliminar os impostos que incidem sobre a cesta básica é medida urgente.O Brasil, com sua agricultura das mais desenvolvidas do mundo, é país com produção de alimentos suficientes para bem alimentar sua população. Não é justo que a parte mais pobre de seus habitantes se veja privada de boa alimentação por excesso de impostos.

Evidentemente que o governo atual não é responsável por este estado de coisas. Há anos se discute uma reforma tributária e, não se chega a acordo devido aos interesses conflitantes entre União, Estados e Municípios. Mas, poderiam se reunir e votarem uma reforma parcial abolindo os impostos sobre os artigos que compõem a cesta básica. Seria grande avanço para melhorar a situação dos mais pobres. Mas, no Brasil, hoje, só se discute o pré-sal...

Termino com José Lins do Rego: “O pior não é morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na Terra Prometida”.

* José Celso de Macedo Soares é almirante, historiador, escritor
e-mail:jcmacedosoares@attglobal.net

 

 
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