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Bons princípios ante um futuro incerto
Por:
Em: 1/6/2009
 

Os fundamentos da civilização ocidental são as democracias representativas, as economias de mercado, o estado de direito, as liberdades individuais e também nossas redes institucionais de solidariedade. São estabelecidos nas modernas democracias liberais os direitos à propriedade, à segurança pessoal, à liberdade de escolha quanto à preferência política, à crença religiosa, à prática econômica, à orientação sexual e o acesso à informação por meio de uma imprensa livre. São liberdades individuais clássicas, que garantem o sentido da existência humana, e não meras abstrações burguesas.

Por outro lado, desde tempos imemoriais instituições como as famílias, as grandes religiões, a filantropia privada e mais recentemente as ações sociais do Estado assimilaram o instinto humano da solidariedade. A seleção evolucionária e o aperfeiçoamento dessas redes de proteção social de crescente abrangência não são meramente frutos de uma ideologia socialista, mas sim traços profundos da psicologia humana.

O Instituto Millenium promove a defesa e o aperfeiçoamento desses fundamentos da civilização ocidental, esculpidos ao longo da história humana. Reúne intelectuais e empreendedores para a discussão de temas contemporâneos à luz dessa perspectiva civilizatória.

A formidável crise econômica atual abala os alicerces da Grande Sociedade Aberta? Em que medida os colossais choques econômicos recentes irão afetar os fundamentos democráticos dessa síntese de duas variantes iluministas — os liberais e os socialistas —, com suas economias de mercado e suas redes de proteção social? Como impedir a ruptura dessas redes de solidariedade ante a competitividade da mais selvagem espécie de capitalismo que já existiu: o mercantilista eurasiano, promovido por regimes políticos totalitários?

Os fracassos da social-democracia hegemônica da República de Weimar na Alemanha de 1919 a 1933 e da liberal-democracia na Grande Depressão dos anos 30 empurraram o mundo para regimes politicamente fechados e para economias autárquicas. O declínio da economia americana e o desempenho econômico da China serão uma referência para a ressurreição de regimes econômicos historicamente nefastos como as economias sino-soviéticas de planejamento central e o capitalismo de Estado nazifascista?

A guerra mundial por empregos irá deflagrar ondas de protecionismo, interrompendo movimento de capitais, fluxos de comércio, correntes migratórias e, portanto, o processo de globalização? As finanças públicas dos países mais ricos já comprometidos com as redes de gastos sociais resistirão ao impacto financeiro da crise atual? É uma ameaça ao Brasil a perspectiva de degeneração das democracias latino-americanas em meio ao caos econômico, à repressão política e à asfixia da livre imprensa historicamente associados aos experimentos socialistas? Ante um futuro sempre incerto, nada como bons princípios.

*Paulo Guedes é economista, sócio e diretor-estrategista da Fiducia, além de membro de seu Comitê Executivo. Foi diretor e um dos sócios fundadores da JGP Asset Management. Foi também sócio-fundador do Banco Pactual S/A e sócio-presidente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais – IBMEC.
 
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