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Amor ao Rio é ativo econômico
Por:
Em: 4/4/2008
 

Competência ,compromisso e compaixão são características essenciais para enfrentar a desigualdade,a desordem e o desperdício que destroçaram a vida dos cariocas. O novo prefeito do Rio precisará entender e valorizar a gestão técnica; firmar acordos com a sociedade ,cumprindo metas , prazos, prioridade, implantando a transparência e admitindo o controle externo das contas. Mas acima de tudo precisará convencer a sociedade de que nutre pelos cidadãos, não o sentimento da pena, mas uma paixão incondicional.

Hoje, quem é competente, é frio. . E quem tem coração, ou não tem visão ou não tem gestão. Numa eleição em que 95% da população não têm candidato, preencherá o vazio quem falar à razão e tocar no coração de todos - pobres, ricos e da esquecida classe média dos nossos subúrbios que, pouco a pouco, se tornou invisível aos olhos do administrador público.

O desafio do prefeito será reposicionar o Rio - no Estado, no Brasil e no mundo - para arrancar a cidade de mais de 20 anos de estagnação econômica. O Rio tem que crescer para reduzir a desigualdade pelo menos em intensidade equivalente aos avanços alcançados Brasil afora; para crescer ,precisa recuperar o controle do espaço urbano, cumprindo as posturas municipais ,combatendo as atividades econômicas ilegais e criando um ambiente propício ao empreendedorismo; estancar o desperdício de nossas riquezas naturais e nossas bens sucedidas experiências sócio-culturais, transformando-as em ativos de crescimento econômico e em políticas públicas.

O Rio está órfão do futuro. E quem não tem futuro, não tem presente.O tamanho do desafio para quem enxerga o Rio em 2020 não pode levar ao imobilismo nos próximos quatro anos. A resposta à desordem urbana pode e deve ser imediata. As necessidades e demandas da sociedade devem ser levantadas por regiões ou bairros, estabelecendo as prioridades com os moradores e amarrando o compromisso,regionalmente,via orçamento anual, com metas e avaliação do resultado. O isolamento do Rio se acentuará se não for retomado de imediato o diálogo com os municípios vizinhos para enfrentar questões como saneamento, meio ambiente, saúde e transporte ,que exigem soluções metropolitanas. O Rio ficará sozinho se não adotar o pragmatismo nas relações com Brasília, trazendo de lá tudo o que é bom para a cidade. Política é medicina. Precisa dar resultados. Ninguém precisou entender a sofisticação teórica do Plano Real para eleger duas vezes o mesmo Presidente. Bastou sentir os benefícios do fim da inflação.

Daqui para frente, dependendo da competência e criatividade com que forem articuladas as relações entre cidades e Estados, agentes públicos e privados, os cariocas poderão se beneficiar de um monumental mercado comum, nos moldes de uma comunidade européia, uma megalópole que já se insinua no eixo Rio - São Paulo - Minas Gerais.É burrice brigar com São Paulo. A aliança deve ser consolidada em instituições de novo tipo, privadas mas de interesse público, capazes de sobreviver aos inevitáveis trancos políticos que virão a médio e longo prazo.

O Rio passa por um posicionamento mundial. A cidade já teve essa ambição no passado. O novo prefeito deve ser o articulador internacional, o animador do establishment, criando condições para o desenvolvimento da indústria da criação, do turismo, da moda, do entretenimento, do lazer, da pesquisa, da educação. Planejar para que a cidade fature em euros e o prefeito gaste em real. Afinal todo mundo, literalmente, adora o Rio. Esse amor precisa ser transformado em ativo econômico.

Será prefeito aquele que pensar com a ótica da sociedade e não com a ótica político-partidária; aquele que convencer a sociedade de que a habilidade para mudar não vem do super-homem ,mas dos cidadãos comuns que acreditam na mudança; que não existirá o mágico que sabe tudo, mas um líder que a todos ouve , sem dizer às pessoas apenas o que elas querem ouvir. Será prefeito aquele que mostrar que vem despojado de ambições pessoais, trazendo na bagagem apenas o compromisso com a melhoria da vida dos cariocas.

*Andrea Gouvea Vieira é vereadora na cidade do Rio de Janeiro

 
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