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| Documentário que se interessa em ouvir seus personagens e suas canções |
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As canções, de Eduardo Coutinho
Por Jorge Maranhão
Já se disse que Eduardo Coutinho é o maior documentarista brasileiro, que é gênio da raça, artista inigualável etc, mas pouco se disse dessa conversa que ele mantém há anos com as pessoas comuns do povo. Quase como um psicanalista de rua, um observador do ordinário, Coutinho faz a arqueologia do extraordinário. Do povo genérico dos genéricos, ele extrai o singular do ser humano que é sempre único em sua firme convicção estético-filosófica. Foi sempre assim, desde o “O cabra marcado para morrer, “O edifício Master”, “O princípio e o fim”, “Peões”, “Jogo de cena”, ”Moscou”, Coutinho tem uma visão mais antropológica do que sociológica do ser humano.Jamais a tentação de classificá-lo, de fugir de sua singularidade, de torná-lo artigo de algum gênero. Ao contrário, Coutinho vasculha e escava as apresentações de seus personagens livres das representações e dos tipos de nosso imaginário. Imaginário que é sempre um salto no abismo do eu, jamais o previsível imaginário social.
Desta feita se trata de mostrar as singularidades através de “canções que lhe marcaram a vida”. Como no “Edifício Master”, os ambientes pessoais construídos num mesmo ambiente edificado. Como em “Peões”, a visão de cada qual dentro de um mesmo projeto de luta sindical e política. Como em “Jogos de cena”, as tão diversas reações meio à infernal mistura do real e da fantasia. Apesar da chamada de gosto duvidoso, típico trocadilho de publicitário à-toa, como “breve num chuveiro perto de você”, o que fica é a indagação do diretor-psicanalista sobre o fio da lembrança que a canção escolhida suscita, a narrativa solta do episódio de vida relatado com todos os sentimentos possíveis. Sobretudo as poucas, mas eloquentes intervenções do cineasta, que não estavam no script, naturalmente, não fosse a própria surpresa dos depoimentos.
Eduardo Coutinho é senhor de sua técnica e metodologia de trabalho. Desta vez, recrutou seus personagens entre as gentes transeuntes do Largo da Carioca, no mais tumultuado centro do Rio de Janeiro, através de um simples cartaz onde perguntava se alguém tinha uma canção que houvesse marcado a sua vida. De mais de 200 tomadas escolheu apenas 18 relatos de comovente singularidade, onde qualquer um de nós poderia compor a amostra e o registro do humano que habita em cada um de nós.
Vale a pena degustar:
http://www.youtube.com/watch?v=XxckBHKLluU
http://www.youtube.com/watch?v=m0PhyNIf7e0&feature=related
http://www.contracampo.com.br/45/entrevistacoutinho.htm |
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