<p>Artigo – O Decálogo de Lenin e o Petismo. Parte I, por Mario Guerreiro<p>

Por volta década de 20 do século passado, não sei dizer precisamente em que ano, Lenin escreveu 10 mandamentos para os comunistas, de modo a orientarem sua ação política. Vamos citá-los, juntamente com um comentário para cada um deles.

Primeiro Mandamento:  “Corrompa a juventude e dê a ela liberdade sexual”.

Do modo como Vladimir Uliánov se expressa, dá a entender que é preciso, em primeiro lugar, corromper  a juventude, para posteriormente dar a ela “liberdade sexual”.  Será que por “corromper a juventude” ele queria dizer “incentivar sua rejeição dos costumes de seus pais relativamente a relações sexuais”?

E por “liberdade sexual” ele se refere à prática do  “amor livre”, hoje mais conhecida como “sexo casual”. Parece que sim, pois pelo que sabemos a URSS na década de 20 tornou-se mais permissiva e isto aparecia aos olhos dos jovens do Ocidente como uma espécie de revolução sexual, uma conquista da modernidade, embora a revolução sexual só tenha surgido entre nós lá pela década de 60 a 70, com o movimento hippie e com Eros e Civilização de Herbert Marcuse, um filósofo neomarxista da Escola de Frankfurt.

Marcuse abominava o sistema capitalista tanto quanto a “repressão sexual”, que era considerada por ele uma das feições típicas da civilização ocidental fortemente influenciada pelo cristianismo.

No Brasil, a revolução sexual não surgiu com o petismo, mas a proposta por ele foi muito além da defendida pelos hippies, por Marcuse e pelo movimento feminista americano de Betty Friedman. Temos em mente uma perversão que nem a mente diabólica de Lenin seria capaz de imaginar.

Refiro-me particularmente às cartilhas do MEC feitas nos governos do PT que, com o falso propósito de combater a homofobia, ensinava homossexualismo masculino e feminino às crianças. Houve poucos protestos da sociedade brasileira já contaminada pela libertinagem encarada como liberdade.

O O deputado Jair Bolsonaro fez veementes protestos na Câmara em Brasília, mas o PT tentou assassinar sua reputação e ele foi rotulado de “conserva” e “reacionário” pela grande mídia. Só não sei dizer até que ponto a grande mídia expressa a opinião do povo. Vide o recente caso da eleição de Donald Trump em que todas as empresas americanas de opinião pública o consideravam uma carta fora do baralho.

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Segundo Mandamento: “Infiltrem-se e depois controlem todos os veículos de comunicação de massa”.

Na URSS e em Cuba, esse mandamento era inócuo, uma vez que na época de Lenin só havia um jornal o Pravda (A Verdade, em russo) e uma agência de notícias Isvetzia, e ambos eram propriedade estatal. Em Cuba, por sua vez, como é sabido, só há um jornal fundado e totalmente controlado por El Coma Andante, Fidel Castro. Uma vez indagado por que só o Granma (vovozinha, em inglês), Fidel respondeu na bucha: “Mais que um jornal é desperdício de papel”. Haja desfaçatez!!!

Na realidade, esse Segundo Mandamento era endereçado aos ativistas internacionais. Nos países democráticos em que há liberdade de imprensa – uma particularização de algo mais amplo: liberdade de expressão – há no mínimo dois ou três jornais. No entanto, isto não quer dizer que não possa haver infiltração comunista.

No Brasil, mesmo nos governos de exceção comandados pelos militares

(1964-1985) havia muitos comunistas nas redações dos jornais, imagine só quando despontou a “redemocratização” e nos (des)governos que se seguiram.

Como Lenin (1870-1924) viveu e morreu na Era do Rádio, era justamente este meio de comunicação que ele tinha em mente: um meio soberano até o final da Segunda Guerra, um poderoso instrumento de massificação nas mãos de Hitler, de Lenin e de Stalin e de todos os sistemas totalitários.

Mas ele não menciona uma infiltração no domínio universitário, porque isto seria completamente inócuo. Todo o ensino na URSS, desde o básico até o superior estava sob controle do Estado que podia colocar agentes comunistas onde quer que desejasse, bem como introduzir ideias comunistas até em livros de Física e Química.

Com a emergência da estratégia gramsciana de hegemonia proposta pelo comunista Antonio Gramsci (1891-1937), houve uma renúncia à luta armada por ser considerada ineficaz para uma consolidação do comunismo: era essencial, para Gramsci, conquistar corações e mentes do povo e, para conseguir isto, essencial aceitar suas crenças religiosas e não pregar o ateísmo e o materialismo nos livros didáticos, ainda que a doutrina comunista pregasse ambos.

Como disse Marx: “A religião é o ópio do povo”. E ele um viciado irrecuperável e não sabia, quando levamos em consideração que sua visão e a visão hebraico-cristã da História são do mesmo tipo: para ambas na História, o princípio se encontra com o fim.

Na tradição hebraico-cristã: a História tem três grandes etapas: o Paraíso, o Paraíso Perdido, o Paraíso reconquistado. Para Marx, essas etapas são:  o comunismo primitivo, a antiguidade escravocrata, o capitalismo, o socialismo (ditadura do proletariado) e o comunismo pós-socialista (coisa, aliás, utópica, pois ficou para sempre um horizonte inatingível até o desmoronamento da URSS).

Permitam-me contar uma piadinha didática: Popov, famoso palhaço do Circo de Moscou, uma vez entrou no picadeiro e contou uma piada que por pouco não o levou para o Arquipélago de Gulag na gélida Sibéria.

Eis a piadinha de Popov:

Outro dia ouvi um discurso do camarada Brejnev em que ele dizia:

“Soviéticos e soviéticas, camaradas de toda a URSS, estamos atravessando dias difíceis; sei mito bem a situação de penúria e angústia do povo, mas posso garantir a todos vocês que dias melhores já se avizinham no horizonte”.

“Como eu sou um palhaço ignorante, prossegue Popov, eu não sabia o que queria dizer a palavra “horizonte”. Então procurei no Dicionário da Academia de Letras da URSS e encontrei a seguinte definição: “Linha imaginária que produz um efeito ótico sobre nós que quanto mais nos aproximamos dela, mais se distancia ela de nós”.

Gramsci tinha ideias mais abrangentes tanto de infiltração como de propaganda comunista e isto o levou a pedir que os comunistas italianos e não-soviéticos em geral aceitassem a “democracia burguesa”, formassem partidos à semelhança formal dos partidos “burgueses”, se candidatassem a todos os cargos eletivos. Para destruir a “democracia burguesa”, era preciso corroê-la lentamente como um verme na carne podre.

Pediu também que os professores do ensino básico ao universitário introduzissem ideias comunistas de modo explícito ou implícito, conforme conveniente em cada caso. Pediu ainda que toda a mídia fosse tomada por comunistas, de modo a adocicá-lo para a opinião pública. E que isto fosse feito gradualmente para não causar fortes rejeições penetrando, assim, nos corações e mentes do povo suavemente como um remédio de gosto agradável.

Os pontos principais da estratégia gramsciana foram postos em prática pelo petismo, tanto no que se refere à infiltração de professores e de ideias comunistas, como na de jornalistas em toda a grande mídia e mesmo em blogs na Internet. Só não vê isto quem é cego por natureza e/ou por matreira conveniência.

Mario Guerreiro é doutor em filosofia pela UFRJ (285)

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