Quarta-feira, 20 de agosto de 2008.

 

     
 
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MÚSICA
 

Concerto com a OSB e a OSN

Há algum tempo que não se assistia a um concerto com duas de nossas principais orquestras aqui do Rio de Janeiro. O concerto de sábado, dia 10 de maio, no Theatro Municipal, trazia peças de piano de Chopin, Debussy, Mozart, e o brilhante concerto nº 3 de Prokofiev, pelas mãos de Cristina Ortiz e a batuta de Roberto Minczuk com a OSB. O concerto do domingo de dia das mães, trazia duas peças para orquestra de dois compositores brasileiros, Edino Krieger e Mário Tavares, e a enérgica sinfonia nº 4 de Brahms.

Nunca sabemos ao certo quem decide os programas de uma orquestra, entre solistas convidados, seus respectivos maestros, diretores artísticos ou mesmo seus dirigentes administrativos. Mas nos chamou a atenção as escolhas feitas. Vale dizer que as duas orquestras são entidades com suportes administrativos bem diferentes desde a época de suas fundações. A OSB, Orquestra Sinfônica Brasileira, fundada em 1940, e que sempre foi mantida por uma associação de amigos e uma fundação privada, mesmo que com esporádicas dotações públicas, passou por grandes dificuldades financeiras há alguns anos atrás quando o prefeito da cidade, César Maia, decidiu bancá-la, passando a se chamar OSB da Cidade do Rio de Janeiro. Dois topônimos, mas, vá lá, pelo menos sobreviveu com a colaboração privada de um grande grupo empresarial como a Vale.

Já a OSN, originalmente a Orquestra Sinfônica Nacional do antigo Serviço de Difusão do Ministério da Educação e Cultura, criada em 1961 por Juscelino Kubitschek, também em crise financeira há alguns anos atrás com sua transferência para a Funtevê, foi salva da extinção pelo poder público em 1986, através do Centro de Artes da UFF, Universidade Federal Fluminense. Mas até aí as semelhanças se acabam.

Tanto a infraestrutura administrativa-financeira quanto até mesmo os mínimos detalhes de sua produção e operação denunciam gritantes diferenças, que se percebem nos mínimos detalhes, como o vestuário dos músicos, a qualidade do material orquestral, para não falar eventualmente dos salários e nos instrumentos. Mas uma singular diferença na programação dos dois concertos ficou patente.

No da OSB não entrou nenhum compositor brasileiro, não fosse a iniciativa da própria pianista em um de seus bis, ter interpretado uma tocante peça de Alberto Nepomuceno, intitulada “Prece” que muitos da platéia desconheciam. Já no programa da OSN, ao contrário, toda a primeira parte era dedicada a compositores brasileiros e apenas a segunda à 4ª Sinfonia de Brahms que, aliás, estava excelente. E como sempre, nossos solistas, sobretudo de metais e madeiras, brilhavam comparativamente à massa dos naipes de cordas, como se fôssemos obrigados a reconhecer que toda expressão individual de nossa tradição cultural devesse sempre ser superior à expressão coletiva, explicando talvez o déficit de nossa cultura de cidadania.

Mas um pequeno e desapercebido episódio se mostrou revelador da natureza desta mesma lacuna de nossa cidadania. Ao apresentar o programa em voz natural, pela falha no sistema de microfone, e em face das reclamações da platéia de que não ouvia, a apresentadora foi interrompida por um dos diretores da Associação de Amigos, o conhecido Mariano “Maravilha” Gonçalves Neto, que oportunamente convidou a platéia a contribuir com R$ 10,00 mensais para a manutenção da OSN.

Mais sobre as duas orquestras, visite:

http://www.osb.com.br/

http://www.centrodeartes.uff.br/osn.html